E se os impostos fossem extintos?

Esses dias, o site Ministro do Investimento publicou um texto traçando um possível cenário da economia caso os impostos fossem extintos.

Você pode ler a íntegra do texto neste link.

A conclusão do texto do colega blogueiro foi a seguinte:

Com a queda dos impostos, a tendência é que todos os produtos em todos os segmentos caiam de preço. Então, enquanto antes, um cidadão precisava de uma renda mensal de R$ 2 mil para ter uma vida decente, agora R$ 1 mil já são suficientes para proporcionar o mesmo padrão de vida. Os empresários logo percebem isso e pensam: se meu peão de fábrica pode ter uma vida digna ganhando R$ 1 mil, não tem sentido eu pagar R$ 2 mil pra ele, portanto vou propor redução salarial já que o custo de vida em geral caiu bastante com a extinção dos impostos.

Então vejam que nesse cenário que eu teorizei, após a extinção dos impostos, o mercado em geral tenderia a se “acomodar” à essa nova realidade, com a tendência de queda dos preços (ruim para o empresário) e queda dos salários (ruim para o trabalhador). No fim das contas, a margem de lucro do empresário tenderia a ser parecida com a que ele tinha antes da extinção dos impostos, e, igualmente, o poder de compra do trabalhador tenderia a ser semelhante à época em que havia impostos.

extinção

Mas esse raciocínio tem um esquecimento na parte que trata dos salários. Acompanhe comigo.

Hoje em dia, para um salário de 2 mil reais, como citado no exemplo, o empregador gasta quase 4 mil reais com aquele funcionário, devido aos diversos encargos trabalhistas listados abaixo, encargos esses que não deixam de ser impostos, já que uma boa parte vai para sustentar órgãos do governo, ou são obrigatoriedades impostas pelo estado:

  • décimo-terceiro salário
  • seguro desemprego
  • FGTS
  • INSS
  • Sistema S (SESI, SENAI, SEBRAE etc)
  • seguro contra acidente de trabalho
  • Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
  • repouso semanal e feriados
  • licença maternidade/paternidade
  • adicional sobre férias
  • auxílio-enfermidade
  • contribuição sindical
  • aviso prévio
  • indenização por demissão injusta

Isso é pra ficar no básico, sem falar em alguns outros encargos que podem ser adicionados a lista, dependendo da categoria profissional e do ramo da empresa.

impostos

Esses encargos são muito altos. No mercado da construção civil, por exemplo, variam entre 70% e 126% do salário do funcionário. Ou seja, pra cada 1 real que o funcionário recebe de pagamento, o patrão gasta mais R$ 0,70 a R$ 1,26 em encargos, que geralmente vão para o governo.

Voltando ao salário do exemplo de 2 mil reais, e usando uma média de encargos, o empresário paga 4 mil reais para contar com aquele funcionário.

Logo, se todos os impostos e encargos fossem extintos, o funcionário continuaria recebendo seus 2 mil reais, porém sobrariam 2 mil reais para o empregador, que poderia usar essa verba para contratar mais funcionários, investir em marketing, em ferramental, máquinas, ou mesmo distribuir como lucro entre os sócios.

Usando o exemplo do carro que o Ministro do Investimento deu no texto dele, o carro cairia de 40 mil para 25 mil reais, mas o salário continuaria sendo de 2 mil reais. Logo, o poder de compra do assalariado dobraria. Ele poderia comprar este carro na metade do tempo.

Claro, os funcionários perderiam alguns “direitos”, mas me parece que com o aumento do poder de compra deles, a recompensa seria maior que o prejuízo.

Como pode se ver, a extinção dos impostos traria benefícios a todos: empresários lucrariam mais ou contratariam mais, funcionários teriam seu poder de compra aumentado. O único que sairia prejudicado, obviamente, é o estado, que deixaria de arrecadar todo esse valor.

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3 comentários em “E se os impostos fossem extintos?

    1. na hipótese das empresas segurarem o lucro pra si, mais empresas se interessariam por aquele mercado. Com mais concorrência, os preços tendem a diminuir. Mais empresas, mais concorrência, mais oferta de emprego, mais pessoas com salário e preços menores ocasionados pelas disputas de mercado.

      Curtido por 1 pessoa

  1. Achamos que hoje, num cenário de concorrência maior, as empresas trabalhariam o valor das suas “Marcas” para manter os seus preços (tipo a Apple com seus celulares) usando a combinação Marketing / Design.

    Mesmo num mercado com sinais de ascensão, até uma startup evoluir para uma empresa ela tem mais chances pode ser comprada por uma “colega mais velha” (vide Facebook e WhatsApp) diminuindo a concorrência efetiva. E quando uma empresa compra outra, geralmente nem todos os funcionários são mantidos.

    Impostos não nos incomodam. Como diria Cerbasi: ” Você vai deixar de ganhar dinheiro licitamente com medo de pagar imposto?”. A forma como os impostos são gastos (ou mal gastos) no Brasil… Isso sim, incomoda muito.

    Trabalhadores devem ter acesso a informação para saber como conquistar a própria independência financeira e decidir se querem manter ou não certas “muletas” do governo.

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