A teoria do tolo maior e as bolhas financeiras

focused photo of bubble
Foto por Lucas Insight em Pexels.com

Antes de mais nada, quero agradecer ao colega do blog Pinguim Investidor, já que a ideia desse texto surgiu de um comentário dele no artigo em que eu falei sobre a diferença entre preço e valor.

A teoria do tolo maior diz que as pessoas compram um ativo (um carro, um imóvel, ações de empresas etc) esperando por uma valorização dela motivada por um comportamento irracional dos agentes de mercado, e então se desfazem desse ativo vendendo-o por um preço razoavelmente maior, auferindo lucro.

Olhando de cara, é fácil notar que se trata de uma operação totalmente especulativa, e como tal, ele é amplamente disseminado em épocas de bolhas. Podemos ver claramente a teoria em ação nas bolhas financeiras altamente conhecidas: as tulipas na Holanda, o Bitcoin, os Flats no Brasil, as empresas de internet e tecnologia, a bolha imobiliária americana. Em todos esses casos, os preços dos ativos foram subindo baseados apenas em especulação, em irracionalidade, totalmente descolados de fundamentos. As pessoas apenas compravam e revendiam por um preço maior, sem se preocupar se aquele preço era explicável ou não (eu ia usar o termo “preço justo”, mas é totalmente subjetivo).

Com isso, as bolhas foram alimentadas até que o tolo maior não apareceu, e várias pessoas “morreram” com esses ativos na mão. Isso gera um reação em cadeia, já que muitos investidores compraram ativos com dinheiro emprestado. Com o ativo desvalorizado, não conseguiram honrar os compromissos com seus credores, e assim segue, até a situação se estabilizar novamente depois de ter atingido uma boa parte da economia daquela cidade, região ou país.

Sabe aquela brincadeira da batata-quente? É praticamente a mesma coisa!

 

Um especulador vai passando pra outro, e pra outro, e pra outro, até que um azarado fica com o ativo na mão na hora que a bolha estoura.

Um ótimo filme para entender bem como funciona essa dinâmica é The Big Short (A grande aposta), que conta a história da crise de 2008 nos EUA:

 

 

Mas qual a diferença entre essa especulação e o investimento, já que em ambas o objetivo é comprar algo por um preço e vender no futuro por um preço superior?

Porque a especulação é uma coisa boa

Investimento x Especulação

A diferença básica é que o especulador não se preocupa de onde vêm a valorização do ativo, ele apenas trabalha com a negociação de compras baratas e vendas caras. Já o investidor também quer lucrar com a valorização desses ativos, mas ele sabe que essa valorização virá por motivos concretos. Por exemplo, um imóvel irá se valorizar se a região onde ele está se desenvolver, melhorando a infraestrutura de mobilidade e serviços; uma ação irá se valorizar caso a empresa aumente seus lucros, expanda seus negócios. Logo, existem razões fundamentadas para que esses ativos valorizem, diferente do que acontece em situações de bolhas.

E mesmo com o advento da internet, não se preocupe! As bolhas continuarão existindo! Afinal, como diz o ditado:

“Todo dia um tolo e um esperto saem de casa; se eles se encontram, dá negócio.”

Resta apenas descobrir qual será o próximo ativo vitimado pela teoria do tolo maior.

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12 comentários em “A teoria do tolo maior e as bolhas financeiras

  1. Opa! Obrigado pela menção!

    É interessante mesmo ver a reação em cadeia que a especulação gera na esperança de conseguir revender algum investimento para lucro próprio.

    Vale a pena ressaltar que essa é também a mesma base psicológica que muitos golpistas utilizam nos seus truques (https://en.wikipedia.org/wiki/Social_engineering_%28security%29), então ao nos conscientizar sobre isso acabamos também por nos proteger.

    Lembrei uma passagem do livro “The Simple Path to Wealth” aonde o autor escreve que a única defesa que se têm contra golpistas é você se aceitar que você irá, sim, também um dia cair em algum deles.

    Abraços!

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  2. Não considero bitcoin uma bolha, mas um mercado pré operacional. Se fosse bolha, ninguém compraria mais. Quem pagou mil dólares em 2013 quando voltou pra 100 dólares poderia ter pensando em se matar…

    Mas não, ele bateu 19 mil dólares. Longo prazo sempre vence.

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  3. Marcelo,

    Por tudo o que disse, sabermos onde estamos investindo é fundamental. O mercado já tem seu risco inerente e entrar em algo sem conhecer muito poderá resultar em muitos prejuízos – ou muitos ganhos, dependendo da hora da saída, como ocorreu com as criptomoedas que alcançaram o auge, mas se tornaram um ativo não mais tão desejado ou que desperte interesse do grande público, o que naturalmente faz com que haja queda de preço. Sem dúvida muitos ganharam com essa bolha especulativa – os que souberam sair no momento certo. Ao mesmo tempo, muitos (talvez a maioria) perderam.

    Boa semana,
    Simplicidade e Harmonia

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