O dia em que fui sardinha

tubaroes x sardinhas

Há alguns anos, talvez 6 ou 7, eu era um jovem que não sabia absolutamente nada sobre mercado de ações, Bovespa, opções, derivativos etc. Só conhecia bem algumas coisas de renda fixa, como a poupança e a saudosa LCI do Banco do Brasil que pagava 80% do CDI. Não era nenhum investimento sofisticado, mas foi usando esses dois produtos que comecei a guardar algum dinheiro e consegui, junto com a minha esposa, pagar nosso casamento, mobiliar a casa e bancar a lua-de-mel.

Com o tempo comecei a me aprofundar, lendo os artigos de sites como o Clube do Pai Rico, o Dinheirama e o Clube dos Poupadores, tentando entender melhor os outros tipos de investimentos.

Até que conheci eles, o pessoal daquela famosa casa de análise e seu marketing agressivo, digamos assim.

Então, por um misto de ingenuidade e curiosidade, comecei a assinar as newsletters da casa de análise.

Foi aí que me desviei.

Meu e-mail virou um mar de promoções, ofertas e dicas prometendo riqueza em pouco tempo, ensinando a transformar mil reais em 200 mil, e outras coisas do tipo.

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Herbert James Draper: ‘Ulisses e as sereias’, pintura de 1909

Resisti o quanto foi possível, mas tal qual um marinheiro não resiste ao canto da sereia, um investidor novato não resiste a promessa de dinheiro fácil, de multiplicação da riqueza ali, na sua frente, a poucos cliques de distância.

Então fiz a besteira de assinar um dos pacotes de análise. Pensei comigo que se não gostasse, poderia desistir dentro dos 30 dias de garantia, e ficaria tudo bem.

O pacote que assinei era sobre estratégia com opções. E eu não fazia ideia do que eram opções. Mas o ingênuo decidiu arriscar.

Eis que aparece a primeira indicação. Comprei e vendi como mandava a dica, e consegui um bom rendimento.

E vieram outras recomendações. E continuei obtendo ganhos interessantes.

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Então decidi continuar além dos 30 dias, e foi aí que a coisa desandou. Por burrice e falta de conhecimento minha, colocava todo o dinheiro que eu tinha destinado para opções em uma única dica. Lógico, não conhecia nada sobre controle de riscos, alocação de ativos. Essa indicação não deu certo, e perdi todo o capital que tinha disponibilizado para opções.

Para piorar, tinha que continuar pagando a assinatura por 12 meses, mesmo sem poder usar. Logo, perdi dinheiro nas opções e também na assinatura. Pelo menos entendi que eu tinha perdido, coloquei uma pedra no assunto e segui a vida.

Mas até hoje assino a newsletter da casa de análise, para me lembrar de como fui burro àquela época, e não voltar a repetir a besteira que fiz.

Conclusão

Podemos tirar algumas lições básicas sobre investimentos desse meu relato:

  • não invista naquilo que você não conhece;
  • não acredite cegamente em analistas, jornalistas e qualquer outra fonte de informação. Eles erram, e erram bastante;
  • gerencie os riscos, não colocando todos os ovos na mesma cesta;
  • sempre desconfie de grandes oportunidades de investimento que são oferecidas por amigos, parentes e empresas, com um marketing muito agressivo.

Então, se você está começando agora, estude bastante e entre aos poucos nos ativos. Não faça como eu fiz. Aprender com os erros dos outros é sabedoria.

O burro nunca aprende, o inteligente aprende com sua própria experiência e o sábio aprende com a experiência dos outros.

Se você também já passou por isso, deixe sua história nos comentários. E no site da Vérios tem outro relato bacana sobre investidores que caíram no canto da sereia:

O que aconteceu quando assinei a Empiricus

E apenas para ficar claro: a culpa não foi da empresa. A responsabilidade foi unicamente minha, que investi em algo sem entender como funcionava, que coloquei dinheiro em algo que não entendia.

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3 comentários em “O dia em que fui sardinha

  1. Eu já fui sardinha no sentido de entrar num fundo quando ele rendeu muito bem nos últimos 12 meses…24 meses, ou seja, num bull market. É entrar e desabar viu. Hoje estou bem mais escolado e menos burro. Mas não é fácil buscar a sabedoria no mercado, as tentações sempre nos rondam.

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