A cilada do time-sharing (ou a lenda do apê-pizza)

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Créditos: Sami Blog

Existe uma modalidade de “investimento imobiliário” (aspas, muitas e muitas aspas), comum em cidades turísticas, chamado time-sharing. Também é conhecido por condo-hotel, e eu apelido livremente de apê-pizza, já que vem dividido em doze partes.

Neste tipo de investimento, a construtora/incorporadora vende cada apartamento para doze pessoas, com cada uma delas tendo direito a utilizar o imóvel durante um mês por ano. Caso você não queira ficar no imóvel durante seu período, ele pode ser ofertado como um quarto de hotel, gerando uma remuneração extra para o seu bolso.

A princípio, parece um excelente negócio. Você comprou um apartamento em uma cidade turística, movimentada, que pode usar durante um mês no ano e pagando apenas 1/12 do valor total do imóvel.

O que poderia dar errado?

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Créditos: Associação dos Registradores e Notários do Alto Uruguai e Missões

Além dos problemas típicos de um imóvel de lazer, que já abordei em outro texto, esse tipo de propriedade reserva outras peculiaridades.

Os problemas começam quando você tenta agendar sua estada no apartamento. Em um mundo ideal, cada um dos 12 donos ficaria durante um mês do ano, e tudo seria perfeito. Mas a verdade é que todo mundo quer ficar no imóvel durante as férias e os feriados prolongados, logo, você raramente vai conseguir utilizar o imóvel na data da sua preferência. É muita gente para pouca data disponível. E isso com certeza renderá brigas, entraves e discussões entre os proprietários. Afinal, ninguém quer ir à praia no inverno, ou para uma cidade montanhosa e fria durante o verão.

A outra possibilidade, de alugar o imóvel como um quarto de hotel, também é ruim. Pense bem: nos meses de alta temporada, quando existe demanda para esse tipo de locação, o apartamento estará ocupado por algum dos inquilinos. E nos períodos de baixa temporada, ninguém vai querer locar, afinal, é baixa temporada, poucas pessoas viajam e a ocupação dos hotéis da região fica bem longe de 100%, dando inúmeras opções para o viajante dessa época fazer ótimas escolhas na hora de fechar uma estadia.

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Créditos: Síndico Legal

Logo, não tem como considerar o apê-pizza um bom investimento. Ganha a construtora na hora que vende o imóvel, ganha a administradora do condomínio, que vai receber todo mês as taxas devidas, e o proprietário só perde. E por se tratar de um imóvel, ainda tem baixíssima liquidez, dificultando que o problema seja repassado para outra pessoa.

Então, se alguém vier lhe oferecer esse tipo de negócio enquanto você desfruta suas tão merecidas férias, corra! Você não quer que suas férias dos sonhos se transformem em um duradouro pesadelo.

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