Plebiscito: como votarei?

eduardo-cunha
Como vota, deputado?

Saudações, republicanos e monarquistas.

O livro de hoje é um achado da minha última ida ao sebo: Plebiscito: como votarei?, é um debate em forma de livro. Ele traz uma coletânea de opiniões de diversos homens importantes do Brasil da época sobre qual opção eles escolheriam, se a volta da monarquia ou a república.

Contextualizando, o livro foi editado pela José Olympio em 1993, meses antes da realização do plebiscito que decidiria qual a forma de governo que o Brasil deveria ter dali em diante. As opções eram: parlamentarismo ou presidencialismo, e caso a opção pelo parlamentarismo fosse vencedora, também se deveria escolher entre monarquia e república. Infelizmente, o plebiscito só aconteceu um século depois do previsto. Era para ter ocorrido alguns anos depois do golpe militar que instituiu a República em 1889 e derrubou o governo de Dom Pedro II, mas foi protelado e só aconteceu 100 anos depois. Como sabemos, o modelo presidencialista republicano foi o vencedor. O documentário do Brasil Paralelo fala sobre este plebiscito e pode ser assistido no YouTube:

Voltando ao livro: são 10 textos escritos por Antonio Ermirio de Moraes, Antonio Fernando de Bulhões Carvalho, Benito Gama, Carlos Alberto Sardenberg, Edmar Bacha, Ives Gandra Martins, Marco Maciel, Mario Henrique Simonsen, Ozires Silva e Paulo Rabello de Castro. Um grupo de pessoas influentes como empresários, políticos, jornalistas.

O que me deixou curioso é que a maioria escolheria pela monarquia na época. Achei que seria o contrário, com a maior parte dos textos sendo favoráveis à república.

Abaixo, alguns trechos interessantes, com o nome de quem escreveu:

Portanto, é preciso não fazer dessa opção entre presidencialismo e parlamentarismo, ou monarquia, o receptáculo de maiores esperanças, sob pena de se arriscar profunda decepção. Quais problemas um ou outro não será capaz de resolver? Estas respostas não dependem das formas e sim de quem as desempenha. – Antonio Ermirio de Moraes

Aproxima-se a galope o plebiscito […]. E o Brasil começa a preparar-se para errar mais uma vez. Individualmente considerados, 90% deles [os brasileiros] – em cálculo otimista – não estarão exercendo opções conscientes. Quanto a partidos e políticos profissionais, ou aos famosos cientistas políticos ou sociais que tanto nos atormentam, não creio que seja melhor o índice dos que responderão à expectativa constitucional de definição com fundamentos em conceitos e não em conveniências. – Antonio Fernando de Bulhões Carvalho

Eu defendo o regime parlamentarista em que o primeiro-ministro e os ministros sejam parlamentares, a fim de haver co-responsabilidade necessária nas votações do Congresso. Desta forma, os parlamentares saberiam exatamente o que estariam votando e suas implicações para os objetivos do governo, além de seus compromissos. Não é o que ocorre com o presidencialismo. – Benito Gama

O país pode fracassar igualmente, mas o parlamentarismo, no mínimo, exibirá ostensivamente a necessidade de arrumar o quadro político. O Congresso não poderá mais eximir-se das responsabilidades de governo – que será o governo do Parlamento. Não restará mais a alternativa de colocar a culpa no presidente. – Carlos Alberto Sardenberg

Os políticos [brasileiros] eram tão incompetentes e irresponsáveis, não por alguma característica atávica, mas sim porque o sistema político induzia-os a esse comportamento incompetente e irresponsável, ao concentrar todo o poder num presidente imperial e reservar ao parlamento apenas a tarefa de obstruir a ação desse presidente. O obstrucionismo inconsequente era a outra face do clientelismo desenfreado. – Edmar Bacha

Apesar de republicano, sou mais parlamentarista. Se a Frente Parlamentarista optar pela eleição direta, estará assinando o atestado de óbito do parlamentarismo, e para salvar tal sistema é preferível a forma monárquica, em que o chefe de Estado respeitará o regime adotado. – Ives Gandra Martins

Estou convencido de que a adoção do sistema parlamentar, entre nós, em vez de resolver a crise política, vai – permitam-me dize-lo – apenas agravá-la. – Marco Maciel

A história do presidencialismo brasileiro parece a de uma companhia de aviação com acidentes fatais em 80% dos voos. – Mario Henrique Simonsen

O mais importante de tudo é que se tenha em conta que, qualquer que seja o regime e o sistema escolhido afinal, devem seus artífices buscar alternativas que tornem o governo menos pesado para o povo brasileiro – Ozires Silva

O exemplo da área educacional é o mais triste e grave de todos, de como o Brasil perde tempo, joga recursos fora, por não ter um projeto nacional no seu campo social – Paulo Rabello de Castro

É curioso como alguns trechos soam tão atuais, mesmo tendo sido escritos há quase 30 anos.

Você pode comprar o livro na Amazon, ou em sebos. Esse não existe no formato digital:

PLEBISCITO: COMO VOTAREI?

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Até semana que vem, com mais um livro!

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2 comentários em “Plebiscito: como votarei?

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