Me engana que eu gosto

Leitores e leitoras, saudações!

O livro de hoje é do sensacional Luciano Pires: Me engana que eu gosto. Para quem já o acompanha através dos podcasts, vai gostar também da versão escrita. É um podcast em livro, um podlivro (ou seria livrocast). Para quem ainda não conhece, fica a chance de conhecer.

O livro é uma coletânea de artigos do Luciano, principalmente sobre política e sociedade. Um ponto positivo do autor é que desde o começo ele deixa claro que tem um lado, e que lado é esse. É muito bom ler um livro, uma matéria, uma notícia, sabendo qual é o posicionamento político de quem escreve. É a única maneira de ter certeza que não está sendo enganado por alguém que tenta se passar por imparcial.

Abaixo, alguns trechos do livro. É porrada atrás de porrada. Desfrute:
A maioria dos idiotas que conheço tem diploma universitário.

Bem, sabe quando você vai à igreja ou templo e o padre ou pastor lê aquelas longas passagens bíblicas, absolutamente ininteligíveis, e o povo permanece contrito e respeitoso? Pois é. Muita gente não precisa compreender pra imaginar que tem algo de santo sendo dito lá. Assim é Marina.

Por isso recomendo: antes de dizer “não comi e não gostei” ou “não leio esse idiota”, faça uma experiência: tire o excesso de gordura. Você pode ter uma surpresa deliciosa. Mas nem sempre dá certo, viu? Tem uns aí que, se tirar a gordura, sobra nada.

A escala AECIO: acesso, entendimento, conclusão, imputação e ofensa. O sujeito não entende o que lê, tira as conclusões que consegue, imputa as conclusões a mim e me ofende pelas conclusões que ele mesmo tirou.

Basta uma frase entre aspas proferida por uma “autoridade”, mesmo que retirada do contexto, ou uma estatística elaborada por alguma entidade conhecida (ou não), ou uma sucessão de números torturados e pronto! Temos uma verdade que nasce de mentiras. Da primeira vez que lidei com o conceito da verdade-mentira, fiquei tentado a chamar essas coisas de “ventiras”. Mas preferi “merdades” que tem mais a ver.

Mas o mais importante: o processo depende em grande parte do que temos dentro de nossa cachola. De nosso repertório. Do que aprendemos com nossas experiências. Quanto mais repertório, experiências, cruzamentos e deduções, mais refinada será nossa interpretação do mundo.

Nesse mundo, quem promete o céu no futuro ganha permissão para apagar o passado e cometer barbaridades no presente.
Os precisos cálculos matemáticos dos especialistas deixaram de fora um detalhe: a engenhosidade do homem, que a cada dia cria novas soluções para velhos problemas. Mesmo com milhares de técnicos, computadores, satélites, modelos matemáticos e anos acumulados de conhecimento, falhamos miseravelmente em nossas previsões, pois as interações que envolvem os sistemas econômicos, ambientais e sociais são por demais complexas, não existem fórmulas prontas.
Quando não temos referências políticas e culturais que nos inspirem confiança, nossa visão da realidade passa a ser determinada pelos profissionais de vendas, a maioria deles focada em técnicas para trocar produtos (promessas) pelo nosso dinheiro (votos) sem preocupação com as questões morais que envolvem essa troca.
Seu pai e sua mãe têm, em média, um testículo cada um. Imaginou a cena? Seu pai e sua mãe, cada um com um testículo? Parece absurdo, não é? Mas estatisticamente está correto. O erro então é de quem? Da estatística? Do estatístico? Ou da interpretação que costumamos fazer das estatísticas?
É complicado analisar uma estatística sem conhecer o contexto. É impossível contar alguma coisa sem defini-la, sem categorizá-la, sem traduzi-la para indicadores que possam ser medidos. É impossível tirar uma conclusão firme sem saber quem mediu, com que régua.
E a conclusão de Sheena foi deliciosa: para quem está diariamente exposto a opções de escolha e às propagandas associadas a essas opções, escolher tem mais a ver com quem a pessoa é do que com o que o produto é. Em outras palavras, suas escolhas dizem mais sobre quem você é do que sobre o produto/ serviço/ político que você escolheu. Talvez isso explique a razão de tanta gente educada, inteligente e letrada, continuar acreditando nas mentiras que os políticos contam… e votando neles. O marketing político não trabalha o político. Trabalha você.
Veja as expressões de camaradagem, o linguajar infantil, o tom de voz artificialmente amaciado, o sorriso exagerado e o olhar cheio de amor pra dar. E imagine que ao final de cada frase está o “seu idiota”. Você vai aos poucos aprender a perceber o vício oculto e então, a partir da realidade dos atos e fatos, perceberá aquilo que não precisa ser dito. Para eles, você não passa de um idiota.
O que define uma democracia é a liberdade que você tem de dizer o que quiser, quando quiser e como quiser, assumindo a responsabilidade pelo que diz.
Aceitar que alguém exponha uma opinião contrária à sua, por mais absurda que você a julgue, é regra da democracia. Quando você não aceita que a pessoa exponha a opinião, você não é um democrata. Entenda bem, não é que você deva concordar com a opinião e sim aceitar que ela possa ser exposta.
Pelo raciossímio dos que defendem a proibição das doações privadas nenhum partido vai buscar uma graninha extra com empresas interessadas em ajudar. Não farão mais caixa dois e não beneficiarão quem os ajudou a se elegerem quando estiverem no poder. E assim acaba a corrupção. Seu idiota.
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Você já leu este livro? Qual sua opinião sobre ele?

Até semana que vem, com mais um livro!

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Um comentário em “Me engana que eu gosto

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