The Beautiful Tree

Saudações, amigos!

O livro desta semana é um tanto quanto especial para mim: pela primeira vez na minha vida, consegui ler uma obra inteirinha escrita em inglês. Por coincidência, é justamente um livro sobre educação: The Beautiful Tree, de James Tooley.

O autor é um pesquisador inglês que viajou para vários países da África e Ásia para pesquisar sobre escolas particulares para pobres. E por incrível que pareça, ele encontrou milhares dessas escolas na China, Índia, Gana, Nigéria e Quênia. E essas escolas são responsáveis por alfabetizar milhares de crianças, que não são ensinadas pelo sistema público de ensino. E como o estado não chega até essas pessoas, surgiram escolas dentro das comunidades, favelas e vilas para atender a demanda dos pais para educar seus filhos.

E mesmo onde existem escolas públicas, os pais preferem pagar pelas escolas particulares, segundo a pesquisa do autor. Isso se deve a cinco fatores principais:

Distância

As escolas públicas só existem em bairros regulares e vilas maiores. Elas não existem em favelas e pequenas vilas rurais. Por isso, as escolas particulares que surgem nesses lugares são preferidas em relação as escolas públicas, já que as crianças precisam se deslocar menos para ir até a escola. Isso também afeta os professores, já que eles costumam morar na mesma localidade das escolas particulares, diferente do que acontece nas escolas do estado, onde os professores vem de outros bairros a até mesmo de outras cidades, o que incorre em muitos atrasos e faltas.

Escola pública não quer dizer escola grátis

Assim como aqui no Brasil, as escolas públicas também não tem um custo direto nesses países, como mensalidades. Porém, os pais precisam comprar uniformes, livros, sapatos, coisas que não são obrigatórias nas escolas particulares. Com isso, a diferença de custos entre as escolas públicas e particulares não era tão relevante assim.

Comprometimento dos professores

O autor relata por inúmeras vezes que nas escolas públicas era comum encontrar salas de aula sem professor, ou então com professor ocupado com coisas particulares como assistir TV, ler jornal ou simplesmente dormir. Tal fato, como esperado, não acontece nas escolas particulares, uma vez que professores que agem dessa forma são facilmente demitidos e substituídos por professores mais comprometidos.

Turmas menores

Na pesquisa do autor, as escolas públicas sempre tinham salas com muito mais alunos do que as escolas particulares, o que diminuía a atenção individual que cada aluno recebia de seu mestre.

Falta de estrutura

Por piores que sejam as escolas particulares dentro das favelas, elas não devem muito em infraestrutura para os alunos em relação as escolas públicas mais próximas a esses lugares.

Além do lucro, claro, essas escolas particulares também ajudam crianças extremamente pobres e órfãos a frequentar a escola, através de bolsas de estudo. Sim, pasmem, mesmo escolas que cobram uma mensalidade baixíssima fornecem bolsa de estudos para quem não consegue pagar nem mesmo esse pequeno valor.

O livro é muito interessante, e é uma pena que ele não tenha uma versão em português. Ele mostra como educação pode sim ser tratada como um negócio, como uma mercadoria, e mesmo assim atingir os mais pobres, permitindo que eles se desenvolvam e possam almejar uma vida melhor através da educação.

Uma coisa bacana do livro é que ela não só levantou problemas, mas também apontou soluções. Graças ao resultado da pesquisa do autor, fundos de ajuda humanitária que lidam com a questão da educação puderam melhorar o uso dos seus recursos, de forma a atender mais crianças. A pesquisa também atraiu investidores, dispostos a financiar os donos de escola através de políticas de micro empréstimos, para a melhoria de infraestrutura dos prédios, compra de material didático, computadores. É um livro que impactou a vida de milhares de crianças, permitindo que elas tivessem acesso a um melhor ensino.

Abaixo, alguns trechos que eu destaquei:

Everywhere among the little stores and workshops were little private schools! I could see handwritten signs pointing to them even here on the edge of the slums. I was amazed, but also confused: why had no one I’d worked with in India told me about them?

“Sometimes, government is the obstacle to the people.”

So what was the secret of success in these private schools for the poor? The report was very clear: “In a private school, the teachers are accountable to the manager (who can fire them), and, through him or her, to the parents (who can withdraw their children). In a government school, the chain of accountability is much weaker, as teachers have a permanent job with salaries and promotions unrelated to performance. This contrast is perceived with crystal clarity by the vast majority of parents.” Accountability was also the factor highlighted by Amartya Sen. Low teaching standards “reflect an endemic lack of accountability in the schooling system.”

In short, despite the denial of those in power, private schools for the poor exist in large numbers in rural China. They are set up by villagers and proprietors to cater to children whose needs are not being met by the public schools—mainly because they are simply too far away from the remote mountain villages. But officials from the government and the aid agencies denied their existence.

I asked a boy in the upper classes why his parents sent him to this school when government schools were now free. “In government schools,” he said, “there are too many children and too few teachers.”

On my journey, I had read the development experts’ thoughts on low-cost private education. They universally appeared to condemn it. Curiously, they appeared to condemn it without any real evidence. My research showed that they appeared wrong on all counts.

Before the British took over and imposed their alien centralized public education system, India had an extensive system of private schools that catered to the masses. Or put another way, before the British came, the Indians already had a system of private schools, including schools for the poor.

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THE BEAUTIFUL TREE – JAMES TOOLEY

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