Rápido e devagar

“Quantos de cada espécie Moisés levou na arca?”

Se você respondeu dois, errou. O piloto da arca era Noé.

A explicação dessa sua resposta e de muitas outras peças que o cérebro nos prega você encontra no livro desta semana: Rápido e Devagar: duas formas de pensar, de Daniel Kahneman.

Jamais pensei que ler sobre esportes americanos me faria entender de maneira mais fácil alguns conceitos do livro, principalmente a questão da regressão à média e a lei dos pequenos números. Explico: acompanhei por muito tempo os textos do Vitor Camargo, no blog Two-Minute Warning, e sempre foram textos que abordavam extensivamente a questão das estatísticas, que também é o tema central do livro do Kahneman. O que o autor explicava com exemplos sobre pilotos de caça, o Vitor fazia quando falava sobre o número de vitórias de um time na temporada da NFL ou sobre a porcentagem de bolas rebatidas por um jogador da MLB.

No conceito dos pequenos números, a mesma coisa: imagina uma final de campeonato em jogo único, entre um time favorito e um azarão. Como é um único jogo, mesmo que um time tenha chances maiores de ganhar, nada impede que o time pior ganhe justamente aquele jogo, levando o campeonato para casa. É a famosa zebra. Essa lei Kahneman explica contando sobre o cara-e-coroa: apesar das chances de dar cara ou coroa sejam de 50%, nada impede que durante uma pequena sequencia de jogadas saia somente cara ou somente coroa por, digamos, 7 vezes seguidas. Agora, quanto maior a amostra, menor a ocorrência de desvios da média. Se você jogar a moeda mil vezes, ela vai cair cerca de metade das vezes para cada lado. Mas você não sabe em qual sequencia isso vai acontecer.

O livro é muito legal, e mostra como a gente é enganado pelo nosso próprio cérebro muito mais vezes do que imagina.

Abaixo, alguns trechos da obra:

Por que damos ouvidos a fofocas? Porque é muito mais fácil, além de ser muito mais prazeroso, identificar e classificar os erros dos outros do que reconhecer nossos próprios erros.

Um tema recorrente deste livro é o de que a sorte desempenha um grande papel em toda história de sucesso; quase sempre é fácil identificar uma pequena mudança na história que teria transformado uma realização notável num desfecho medíocre. Nossa história não foi exceção.

Na economia da ação, esforço é um custo, e a aquisição de habilidade é impulsionada pelo equilíbrio de benefícios e custos. A preguiça é algo profundamente arraigado em nossa natureza.

Inteligência não é apenas a capacidade de raciocinar; é também a capacidade de encontrar material relevante na memória e mobilizar a atenção quando necessária.

Por volta de 1960, um jovem psicólogo chamado Sarnoff Mednick imaginou ter identificado a essência da criatividade. Sua ideia era tão simples quanto poderosa: criatividade é uma memória associativa que funciona excepcionalmente bem.

“Quantos animais de cada espécie Moisés levou na arca?” O número de pessoas que detecta o que está errado com essa pergunta é tão pequeno que ela já foi batizada de “a ilusão de Moisés”.

No mundo de hoje, os terroristas são os praticantes mais significativos da arte de induzir cascatas de disponibilidade. Com poucas terríveis exceções, como o 11 de Setembro, o número de baixas por ataques terroristas é muito pequeno em relação a outras causas de morte. Mesmo em países que se tornaram alvo de intensas campanhas terroristas, como Israel, o número semanal de baixas quase nunca chegou perto do número de mortes no trânsito.

Eis por que o padrão é chamado regressão à média. Quanto mais extrema a pontuação original, mais regressão é esperada, pois uma pontuação extremamente boa sugere um dia de muita sorte. A previsão regressiva é razoável, mas sua precisão não é garantida.

A percepção tardia é particularmente cruel com tomadores de decisão que desempenham o papel de agentes para outros — médicos, consultores financeiros, treinadores de terceira-base no beisebol, CEOs, assistentes sociais, diplomatas, políticos. Somos propensos a culpar os tomadores de decisão por boas decisões que funcionaram mal e a lhes dar pouco crédito por medidas bem-sucedidas que parecem óbvias apenas após o ocorrido. Há um claro viés de resultado (outcome bias).

Alguns poucos golpes de sorte podem coroar um líder inconsequente com um halo de presciência e coragem.

Os consumidores têm sede de uma mensagem clara sobre os determinantes do sucesso e do fracasso nos negócios, e precisam de histórias que ofereçam uma sensação de compreensão, por mais ilusória que seja.

Em um artigo intitulado “Trading Is Hazardous to Your Wealth” (Investir é perigoso para sua riqueza), eles mostraram que, em média, os investidores mais ativos obtiveram os piores resultados, ao passo que os investidores que fizeram menos operações conquistaram os retornos mais altos.

A evidência de mais de cinquenta anos de pesquisa é conclusiva: para uma grande maioria de gerentes de fundos, a seleção das ações está mais para um lance de dados do que um jogo de pôquer. Normalmente, pelo menos dois em cada três fundos mútuos apresentam desempenho abaixo do desejável no mercado6 como um todo a qualquer ano determinado.

A execução bem-sucedida de um plano é específica e fácil de imaginar quando a pessoa tenta prever o resultado de um projeto. Por outro lado, a alternativa de fracasso é difusa, pois há inúmeros modos de que as coisas deem errado. Empresários e investidores que avaliam suas perspectivas são propensos tanto a superestimar suas chances como a dar peso excessivo a suas estimativas.

O livro está disponível na Amazon, no link abaixo:

RÁPIDO E DEVAGAR – DANIEL KAHNEMAN

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