Como mentir com estatística

Saudacoes, estatísticos e estatísticas!

Em tempos de Fake News, o livro de hoje é quase obrigatório: Como Mentir com Estatística, de Darrell Huff. Apesar do tema atual, é um livro bem, bem antigo. Ele foi escrito na década de 1950!!!

No livro, o autor traz diversos exemplos de como jornalistas, políticos, publicitários e afins aproveitam da estatística para tentar provar um ponto ou desqualificar um adversário, principalmente através de gráficos. Algumas técnicas são grosseiras, enquanto outras são muito sutis. Por isso é importante ficar atento.

Um bela ilustração em vídeo para este livro, que aconteceu recentemente, é essa leitura de gráfico da pandemia do Covid-19:

Abaixo, alguns trechos do livro:

Como observou há algum tempo Henry G. Felsen, um humorista sem qualquer autoridade médica, um tratamento apropriado cura um resfriado em sete dias, mas, se deixado em paz, ele vai durar uma semana.

Uma estatística bem-arrumada é melhor do que a “grande mentira” de Hitler: ela engana, mas a culpa não pode ser atribuída a você.

É igualmente verdade que o resultado de um estudo de amostragem não se refere a nada além da amostra na qual se baseia. Quando os dados são filtrados ao longo de camadas de manipulação estatística e reduzidos a uma média decimal, o resultado começa a ganhar uma aura de convicção que poderia ser desfeita se houvesse um olhar mais aproximado na amostragem.

Para ter mais valor, um relatório baseado em amostragem deve utilizar um grupo representativo, ou seja, aquele do qual todas as fontes de tendenciosidade foram removidas.

Analise mais a fundo as coisas que lê e poderá evitar aprender um monte de coisas que não são verdadeiras.

Apenas quando há um número substancial de tentativas envolvidas é que a lei das médias se mostra uma descrição ou previsão útil.

Não saber nada sobre um assunto muitas vezes é mais saudável do que saber o que não é verdadeiro, e saber pouco pode ser perigoso.

Tudo isso lembra bastante uma antiga definição do método de ensino em sala de aula: um processo em que o conteúdo do livro do professor é transferido para o caderno do estudante sem passar pela cabeça de nenhum dos dois.

Você pode usar estatísticas sobre acidentes para morrer de medo de qualquer meio de transporte… se deixar de notar o quanto os números estão mal associados.

Morreram mais pessoas em aviões no ano passado do que em 1910. Portanto, os aviões modernos seriam mais perigosos? Isso não faz o menor sentido. O número de pessoas que pegam aviões hoje em dia é centenas de vezes maior, só isso.

É interessante o fato de que a taxa de mortalidade ou a quantidade de mortes sejam, com frequência, uma medida melhor da incidência de uma doença do que os números diretos sobre a incidência — simplesmente porque a qualidade dos relatos e da manutenção dos registros é muito maior para casos fatais.

A questão é que, quando há muitas explicações razoáveis, dificilmente estamos no direito de escolher uma preferida e insistir nela. Mas muita gente faz isso.

Dar informações erradas às pessoas usando material estatístico é algo que pode ser chamado de manipulação estatística; em uma palavra (mesmo que não muito boa), é a estatisticulação.

Karl Marx não escapou de alcançar um ar espúrio de precisão da mesma maneira. Para calcular a “taxa de mais-valia” em uma fábrica, ele começou com uma esplêndida coleção de suposições, palpites e números redondos: “Suponhamos que a perda seja de 6% (…) A matéria-prima (…) custa, em números redondos, £342. Os dez mil fusos (…) custam, vamos supor, £1 cada um (…) O desgaste colocamos em 10% (…) O aluguel do prédio supomos que seja de £300.” Ele diz: “Os dados acima, nos quais se pode confiar, me foram oferecidos por um fiandeiro de Manchester.” A partir dessas aproximações, Marx calcula: “A taxa de mais-valia é, portanto, 80/52 = 153,8461%.” Para um dia de dez horas, isso lhe dá: “Trabalho necessário = 3 31/33 horas; trabalho excedente = 6 2/33.” Há uma boa aura de exatidão nessas duas frações de 33 avos de horas, mas é tudo um blefe.

Qualquer percentual que se baseie em um número pequeno de casos provavelmente será um embuste. É mais informativo oferecer o próprio número. E quando o percentual é levado ao campo dos decimais, passamos a percorrer a escala que vai do “tolo” ao “fraudulento”.

Conforme já indicado, mais casos relatados de uma doença nem sempre equivalem a mais casos da doença. A vitória de um candidato prevista em uma pesquisa de intenção de votos nem sempre corresponde ao resultado nas urnas. Uma preferência por artigos sobre assuntos internacionais expressada por uma “parcela” dos leitores de uma revista não é uma prova definitiva de que eles leriam os artigos se fossem publicados.

O livro está disponível na Amazon, no link abaixo:

COMO MENTIR COM ESTATÍSTICA – DARRELL HUFF

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