Acredite, estou mentindo

Acredite, estou mentindo – Ryan Holiday

Saudações!

E lá vamos nós falar sobre mentira, calúnia e difamação de novo.

Mas antes, quero que vocês assistam esse vídeo:

Essa propaganda traz muito do espírito do livro de hoje.

Acredite, estou mentindo, escrito por Ryan Holiday, narra os bastidores de uma máquina de boatos, mentiras e propaganda gratuita. Fala também sobre como a mídia tradicional foi atropelada pela internet (pode reparar, boa parte do conteúdo que passa na TV é repercussão de coisas que aconteceram pela internet), e como os sites de noticia viraram uma máquina de caçar cliques, não se importando mais com o que foi publicado, já que os assuntos ficam poucas horas no ar, até serem atropelados por outras pautas.

O livro fala também sobre a necessidade cada vez maior da mídia apelar para manchetes bizarras e até mesmo mentirosas, afinal, quanto mais cliques no site, mais elas ganham com publicidade.

A parte mais legal é quando ele conta como foi fácil conseguir mídia quase de graça para sua empresa de roupas, apenas soltando um boato e umas fotos em um blog pequeno. O blog repercutiu para blogs maiores, que repercutiu para sites de notícias, até chegar na grande imprensa.

Abaixo, alguns trechos interessantes do livro:

Sobre os apaziguadores de sua época, Winston Churchill escreveu que “o apaziguador é a pessoa que alimenta o crocodilo na esperança de que será devorado por último”.

É difícil surfar pela internet quando se está assombrado pelas palavras de A. J. Daulerio, editor do popular blog de esportes Deadspin: “É tudo uma armação”.

Embora existam milhões de blogs na internet, você perceberá que alguns serão mencionados com frequência neste livro: Gawker, Business Insider, Politico, BuzzFeed, Huffington Post, Drudge Report e outros semelhantes. Isso não é porque eles sejam os mais lidos pelo público, mas porque são os mais lidos pela elite da mídia, e seus donos-apóstolos, Nick Denton, Henry Blodget, Jonah Peretti e Arianna Huffington têm imensa influência. Um blog não é pequeno se o seu punhado de leitores é constituído de produtores de TV e redatores de jornais de abrangência nacional.

Houve um tempo em que radialistas e âncoras de TV liam as manchetes dos jornais em suas transmissões; hoje eles repetem o que leem nos blogs – alguns blogs mais que outros.

Se você não entendeu, aqui está o ciclo novamente: Blogs políticos precisam de coisas para cobrir; o tráfego aumenta durante as eleições A realidade (eleição muito distante) não combina com isso Blogs políticos criam candidatos mais cedo; antecipam o início do período eleitoral A pessoa que eles cobrem, por ter a cobertura, torna-se um candidato real (ou até presidente) Os blogs lucram (literalmente); o público perde

A economia da internet criou um conjunto distorcido de incentivos que tornam o tráfego mais importante – e mais rentável – do que a verdade.

Algumas pessoas da imprensa, me parece, são simplesmente preguiçosas. Às vezes eu solto um comunicado que é reproduzido palavra por palavra. Isso é constrangedor. Eles estão se adaptando a uma época que exige menos qualidade e mais quantidade. E isso funciona a meu favor na maioria do tempo, porque acho que a maioria dos repórteres gosta que eu lhes entregue tudo pronto. A maioria das pessoas sempre opta pelo que é mais fácil, para que possa ir para a próxima tarefa. Repórteres são avaliados pela frequência com que seu material aparece no Drudge. É ruim que seja assim, mas é a realidade.

Em uma publicação que explicava a assessores de imprensa como poderiam utilizar melhor os blogueiros como ela própria, Lindsay aconselhou-os a se concentrar “em uma faixa de blogs com tráfego menor, entendendo (corretamente) que atualmente o conteúdo é filtrado para cima tanto quanto é filtrado para baixo, e com frequência os sites menores, com sua capacidade de vasculhar a internet mais agilmente e a fundo, funcionam como viveiro para os maiores”.

Os blogs competem para ver quem consegue uma história primeiro, os jornais competem para “confirmá-la” e então os especialistas competem por tempo na televisão para opinar sobre ela. Os sites menores legitimam o valor da história para sites com maior público. Consecutiva e simultaneamente, esse padrão distorce e exagera qualquer notícia que é relatada.

Você pode usar o sistema para fazer caridade ou para criar notícias falsas e engraçadas – ou você pode usá-lo para criar violência, ódio e até, incidentalmente, morte. Eu fiz as duas primeiras coisas, enquanto outros, por negligência ou malícia, fizeram a última. Mas, no final das contas, não vou me esconder atrás de intenções. Existe culpa suficiente para ser distribuída.

Toda decisão que um editor toma é regida por uma regra: tráfego a qualquer custo.

Cada blog é um miniesquema de pirâmide, para o qual crescimento de tráfego é mais importante do que situação financeira sólida, reconhecimento de marca é mais importante que confiabilidade, e escala é mais importante do que bom gerenciamento.

Uma das formas mais rápidas de conseguir cobertura online para um produto é dá-lo de graça para blogueiros (eles raramente revelam o conflito de interesse).

Esse entra-e-sai tem uma influência peculiar no jornalismo, como é de se esperar. Que blogueiro vai fazer uma reportagem real sobre empresas como Google, Facebook ou Twitter quando existe a possibilidade de um emprego lucrativo em uma delas? Um blogueiro prefere dançar conforme a música e fazer seu nome de qualquer outra forma que não sendo um jornalista íntegro.

A maioria dos artigos online é criada com essa mentalidade. Marqueteiros disfarçados de especialistas dão conselhos e comentam assuntos de modo que beneficiem seus clientes e consigam enganar as pessoas para fazê-las comprar seus produtos. Os blogs não são responsabilizados quando erram ou são manipulados, então por que tentariam evitar esse tipo de situação?

Então, aqui estamos, em 2012, com nossos requintados MacBooks e internet sem fio, presos ao mesmo tipo de manchete falsa que existia no século XIX.

É assim que a coisa funciona online. Um jornalista encontra e promove uma história que lhe seja rentável ou, talvez, que lhe interesse pessoal ou ideologicamente. Ele consegue enfiá-la na consciência nacional antes que qualquer pessoa tenha a oportunidade de verificar se essa história é verdadeira ou não.

Mas como observou com presciência James Fennimore Cooper no século XIX: “Se os jornais são úteis para derrubar tiranos, é só para que coloquem seus próprios tiranos no lugar”.

Fazendo uma ponte com o mercado financeiro: não se importe muito com as noticias que saem sobre empresas, bolsa, investimentos. Canais que ficam 24h no ar precisam inventar conteúdo para que seus especialistas fiquem opinando. A bolsa cair ou subir, tanto faz. Eles vao inventar uma desculpa esfarrapada para justificar essa oscilação do mercado acionário. Então, não acompanhe as noticias, principalmente sobre investimentos.

O livro está disponível na Amazon, no link abaixo:

ACREDITE, ESTOU MENTINDO – RYAN HOLIDAY

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