Existe limite para a diversificação?

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Foto por Karolina Grabowska em Pexels.com

Saudações!

Existe limite para a diversificação?

Sendo curto e grosso: não! Você deve possuir a maior quantidade de ativos possível, desde que sejam bons ativos. Não é para comprar ação de empresa ruim, ou cota de FII de fundos que estão sendo encerrados, ou pesos argentinos. Você tem que ter patrimônio diversificado em ativos ótimos, excelentes. É isso que vai colocar as chances de aumentar seu patrimônio a seu favor. Tudo pode dar errado? Sim, pode! Mas fazendo deste modo, as chances de dar certo aumentam bastante.

O limite da diversificação rende debates calorosos. Tal qual o limite do humor, para alguns ele inexiste, enquanto para outros ele é bem delimitado. É comum encontrar conteúdo dizendo que o máximo de ativos que um investidor deve possuir é em torno de vinte. A alegação é que a partir desse número de ativos o risco não diminui significativamente, não compensando o tempo que se gasta para estudar e acompanhar esses investimentos todos.

Outra razão para colocarem 20 como o número mágico é a questão do tempo: caso o investidor tenha muitos ativos na sua carteira, vai precisar dedicar um tempo excessivo para acompanhar o andamento de cada um deles, o que acaba sendo contraproducente, já que esse tempo seria melhor empregado caso a pessoa estivesse trabalhando e se aperfeiçoando para aumentar sua renda. Costumam dizer que quem tem mais do que um certo número de ativos está pulverizando seus investimentos.

Eu entendo um pouco diferente.

Justamente por você ter menos tempo para acompanhar todos os ativos, você deve ter mais ativos. Quanto menos tempo para se aprofundar naquele investimento, mais você deve se proteger através da diversificação.

Isso é matematicamente explicável: com mais ativos na carteira, cada um representa bem pouco no valor total do seu patrimônio. Logo, as oscilações deles frente ao total ficam irrisórios.

E na verdade, se aprofundar muito nos estudos de um ativo não é garantia de nada. Por mais que você o conheça, você não está lá no cotidiano daquela empresa ou daquele fundo, não sabe as decisões, as estratégias e os planos que estão sendo feitos. Você não tem poder nenhum de interferir nos rumos futuros. Logo, gastar tempo demais analisando um ativo pode ser contraproducente. Chega a ser, na verdade, desperdício de tempo de vida.

Como diria Marcus Aurelius em seu livro Meditações: só gaste tempo com aquilo que pode mudar. E a única coisa que você pode decidir em relação a um investimento é se vai te-lo na carteira ou não. Nada além disso.

Na minha opinião, não existe um teto, um limite de diversificação (e o Peter Lynch está do meu lado nessa). Pelo menos não assim, de forma arbitrária. O que vai determinar esse teto é o conhecimento e o conforto de cada investidor. Sim, o conforto.

Por mais que digam que é importante sair da zona de conforto para obter resultados expressivos, nos investimentos a coisa não funciona exatamente assim. Os investimentos existem para permitir que você tenha uma vida mais tranquila. Se você fica ansioso, preocupado, perde o sono, você não está investindo da maneira correta.

Se você está confortável com 20 ativos na sua carteira, ótimo. Se prefere ter 200, bom também. O que importa, como já falei antes, é o teste do travesseiro.

E dando uma resposta definitiva sobre pulverização ou diversificação, pelo meu ponto de vista: o primeiro é quando você compra a esmo, sem saber o que está comprando, seguindo notícias, indicações ou factoides. O segundo é quando você compra bons ativos, com histórico de lucro. A diferença entre um e outro é mais a qualidade dos ativos do que a quantidade.

Aqui vai um exemplo usando números: no momento que escrevo este livro, existem cerca de 300 empresas listadas na bolsa de valores brasileira, a B3. Digamos que apenas 5% delas são empresas excelentes, onde vale a pena investir o seu suado dinheirinho. Teríamos então 15 ações de qualidade na carteira.

Agora vamos aos Estados Unidos, na bolsa de valores de Nova York. Lá existem cerca de 2.400 empresas listadas na bolsa, cerca de oito vezes mais do que no Brasil. Mantendo a proporção de que apenas 5% delas são realmente de máxima qualidade, teremos aproximadamente 120 empresas ótimas para investir. E a proporção é a mesma. E não significa que investir nessas 120 empresas foi uma pulverização, já que são empresas de qualidade, com histórico de lucro, empresas sólidas.

É apenas um exercício matemático, mas serve para explicar porque ter muitos ativos na sua carteira de investimentos não significa que você está pulverizando seu capital. Pelo contrário, como falei antes, quanto mais ativos bons você tiver, maiores as chances de capturar aquelas empresas explosivas, os foguetinhos.

Claro que dependendo da maneira como você gere seus investimentos, ter muitos ativos pode demandar um tempo excessivo, e até mesmo ser improdutivo, já que você precisa dedicar muito do seu dia aos seus investimentos e acaba passando menos tempo estudando, trabalhando, curtindo a família, praticando esportes. Tudo precisa ser equilibrado. Tenha na sua carteira apenas a quantidade de ativos que você consegue acompanhar pelo seu método, seja ele qual for.

E você, quantos ativos tem na carteira?

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2 comentários em “Existe limite para a diversificação?

  1. Pra mim parece ser cristalino: escolha quantas empresas você possa acompanhar, eu mesmo só estou em uma desde ago/19: oibr3
    Acompanho diariamente. Acho que o risco reside bem nisso: em algo que você compra e não pode acompanhar. A gente faz isso com tudo, vai comprar um carro, um smartphone, pesquisa bem antes, com ações deveria ser a mesma coisa, pesquisar bem antes e todos os dias depois. Se tem tempo pra acompanhar diariamente apenas uma, que seja uma.

    Curtido por 1 pessoa

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