A meia-vida do dinheiro

Foto por Miha Corni em Pexels.com

Radioativos e radioativas, saudações!

Em Química, existe um conceito que atende pelo nome de meia-vida. Segundo o dicionário, meia-vida é o intervalo de tempo necessário para que a quantidade inicial de átomos seja reduzida à metade, numa reação física ou química. Traduzindo: a cada período de tempo, o elemento perde metade dos seus átomos. Colocando isso em um gráfico, fica mais ou menos assim:

De acordo com o Manual da Química: […] Visto que o decaimento radioativo é um processo que envolve apenas o núcleo atômico, a meia-vida não varia com a pressão ou com a temperatura e nem depende da quantidade inicial da amostra. Essa grandeza pode ser usada para determinar a idade de fósseis vegetais e animais, de rochas e até da Terra. […]

Porque estou falando de meia-vida, química e física em um site sobre finanças pessoais e dinheiro?

Porque, aparentemente, o nosso dinheiro também sofre um processo de meia-vida.

Veja os gráficos abaixo. Eles representam o quanto cada moeda perdeu de valor ao longo do tempo, a partir de 1956. Os dados foram obtidos no site https://www.inflation.eu/

Poder de compra do dólar dos Estados Unidos:

Poder de compra do real do Brasil:

Poder de compra da libra esterlina do Reino Unido:

Poder de compra do iene do Japão, país conhecido na mídia por sofrer uma deflação que o governo não consegue reverter:

Observe como os gráficos de poder de compra e de meia-vida são similares. Podemos tranquilamente dizer que nosso dinheiro está se desfazendo ao longo do tempo. Cada vez compramos menos coisa, e precisamos de mais dinheiro para isso.

E apesar das recentes notícias sobre inflação, que inundam o noticiário dia após dia, elas têm mais resultado para alarmar a população do que efeito prático.

Basta observar os gráficos acima. A moeda já derreteu, oitenta por cento ou mais do seu valor. O estrago já foi feito. Por mais que haja inflação hoje em dia, o pior mesmo já passou.

E isso é explicado pela forma como as notícias são dadas. Elas sempre focam em como os preços estão subindo, quando deveriam focar em como o poder de compra está diminuindo. Essa informação sim traz um impacto muito maior. Basta ver as imagens acima. Como você se sente ao saber que uma nota de 100 reais que está na sua carteira, na verdade tem o poder de compra equivalente a menos de 20 reais de 1995?

É por isso que se gasta cada vez mais e se compra cada vez menos. Mas como boa parte dos salários no Brasil também são indexados pela inflação, seja em virtude de o pagamento ser realizado pelos órgãos governamentais, seja pelos acordos trabalhistas feitos entre empresas e sindicatos, a sensação é de que enriquecemos simplesmente porque o valor nominal dos salários aumentou.

Concluindo, já não vejo muito sentido em me importar com os dados de inflação. A moeda simplesmente já não tem o mesmo poder de compra. A inflação pode ser alta, que o valor dela já está totalmente acabado. Resta esperar pelo momento em que criarão uma nova moeda para substituir as atuais. Tal como acontece com os elementos químicos, o fim da moeda é inevitável, falta apenas saber quando é que vai acontecer.

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