Vida por dinheiro: essa troca está valendo a pena?

Foto por Caio em Pexels.com

No post a importância do sono, o leitor Maromba Investidor escreveu um comentário simples, direto e impactante.

É o tipo de coisa que sabemos muito bem, mas que acabamos deixando de lado, pois as inúmeras tarefas, demandas e obrigações da rotina quase sempre falam mais alto.

Não que isso seja ruim, mas será que não estamos exagerando?

Para ganhar dinheiro trocamos parte da vida;

Para consumir produtos trocamos pelo dinheiro;

Para conseguir mais dinheiro temos que trocar mais vida. E o ciclo se repete.

Ou seja quanto mais consumimos mais desperdiçamos nossas vidas.

Maromba Investidor

Importante ou supérfluo?

Na sociedade atual, a linha que separa o importante do supérfluo está cada vez mais difusa e confusa.

Você consegue identificar com facilidade quais bens materiais são realmente importantes para você?

Consegue separá-los daqueles bens que não fariam tanta falta assim ter ou não ter? Ou que não fariam nenhuma falta?

Aqui eu faço uma ressalva em relação aos bens que possuem uma grande carga emocional, como um livro, uma peça de roupa, um enfeite, um presente, etc. Não as leve em consideração nesse post, pois são geralmente bens supérfluos, mas ao mesmo tempo, muito importantes.

Se fosse possível fazer uma lista com todos os supérfluos que foram comprados desde o primeiro salário, ficaríamos surpresos ao ver o quanto de dinheiro, ou seja, de tempo de vida trocamos por produtos que nos proporcionaram poucos momentos de satisfação – muitos deles, pouco tempo após a compra, tiveram um único destino: a grande caixa de desejos passageiros que foram satisfeitos. E nada mais.

E como é praticamente impossível guardar tanta coisa, muitos desses objetos acabaram sendo doados ou vendidos. Mas será que precisavam mesmo ter sido comprados? 

Os objetos que não foram doados ou vendidos, muitas vezes ficaram só ocupando espaço, pois sabemos que ao menos para nós, não fazem mais sentido algum. Mas às vezes o apego fala mais alto e nos esquecemos de que a vida é impermanente.

Querendo ou não, o fato é que com o tempo nossos interesses mudam.

A dor do crescimento não é agradável, mas muito necessária para o nosso próprio desenvolvimento pessoal.

Quanto mais nos conhecermos, menos vulneráveis estaremos aos apelos de nossa própria mente, que aprecia muito os momentos agradáveis, porém fugazes, de compras supérfluas.

De forma esporádica acredito que os supérfluos possuem a capacidade de proporcionar um colorido extra à vida, porém o problema é que eles têm se tornado regra e não exceção na vida.

Eu mereço!

Você já deve ter ouvido a frase acima. Ou até disse isso para você mesmo.

O raciocínio posterior é mais ou menos assim: “Eu trabalhei muito, muito mesmo! Por isso, mereço comprar um __________.”

O merecimento é totalmente coerente e saudável, pois após uma tarefa árdua, queremos algo em troca. Mas será que haverá uma satisfação prolongada trocar por algo supérfluo o dinheiro conquistado ao disponibilizar muitas horas de sua vida?

Se consideramos que o tempo é um recurso não renovável e que a vida e o tempo são indissociáveis, é bem provável que o “eu mereço” como o conhecemos não faça mais tanto sentido.

Vivemos na sociedade de consumo, que a todo momento quer nos induzir a comprar. 

Além do “eu mereço”, há também as propagandas que proporcionam sentimentos de inferioridade ou de vergonha se não possuirmos um determinado produto mais novo.

Por isso, é preciso muita atenção para não nos deixarmos levar por tais estratégias e trocar o valioso tempo, ou seja, a preciosa e finita vida por coisas que não são tão – ou nada – importantes para nós.

Trocamos vida por mais dinheiro

Não que isso seja errado, muito pelo contrário. Precisamos de muitas coisas para uma vida minimamente confortável. 

Além disso, o trabalho é importante para o próprio desenvolvimento pessoal.

E sem ele, não haveriam tantas invenções úteis, pois milhares de horas de vida foram – e são – disponibilizadas por milhões de pessoas para que tudo funcione relativamente bem.

Esse ciclo sempre se repetirá.

E se parasse, o caos se instalaria.

A questão é o excesso

Apesar de estar funcionando bem, o smartphone A já não serve mais.

É preciso comprar o A10.

Último modelo.

Mais caro.

Com mais funções – muitas delas totalmente desnecessárias e que nunca serão utilizadas.

O mesmo ocorre com automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, etc.

O novo parece ter um brilho especial enquanto o que já possuímos perde a graça, mesmo que ainda esteja funcionando perfeitamente.

A imagem abaixo ilustra bem essa questão.

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É em momentos como esse que nos esquecemos completamente de que mais uma parte da vida foi trocada por dinheiro para comprar algo desnecessário naquela ocasião. Mas muitas vezes a satisfação passageira e a ânsia por status falam mais alto…

Pensando de forma racional: será que vale a pena?

Uma nova maneira de pensar

É impossível mensurar em valores monetários o quanto gastamos com supérfluos desde o primeiro salário recebido.

Mas suponha que desde esse dia, dos 100% gastos com supérfluos, você tivesse pensado melhor e utilizado só 50% para esse fim e investido (ou poupado) os outros 50%.

Nessa situação, acredito que a maioria dos leitores chegou a mesma conclusão que eu: apesar de ser impossível quantificar, seria uma quantidade razoável de dinheiro hoje.

E poderia ser muito mais, se tivesse sido investido nos produtos mais rentáveis das respectivas épocas.

Você já tinha pensado nisso?

A mudança de hábitos nunca é fácil, mas se você procurar pensar menos na satisfação imediata através da compra de supérfluos e pensar mais em investir ao menos uma parte desse recurso, talvez em pouco tempo você perceba a diferença positiva que essa atitude poderá fazer a longo prazo.

Se quiser, veja os posts que escrevi sobre Educação Financeira.

E também a minha Blogosfera. Lá há muitos blogs excelentes sobre o tema. 

Deixe o seu dinheiro trabalhar para você!

Conclusão

Tempo é vida, mas muitas vezes parece até que nos esquecemos disso.

Apesar de vivermos em uma sociedade de consumo tão intenso e muitas vezes desnecessário, não precisamos seguir por esse caminho.

Não precisamos trocar nossa vida para obter dinheiro e então trocá-lo por objetos que nem sempre queremos tanto, mas que somente proporcionam uma sensação artificial de pertencimento. Não precisamos disso!

Troque o seu dinheiro pelo que realmente é importante e que faz sentido para você e não para os outros.

Afinal de contas, as pessoas que realmente gostam de você, te admiram pelo que você é e não pelo que você tem.

Este texto faz parte da campanha Janeiro Verde. Veja mais em https://www.instagram.com/janeiroverde

Publicado originalmente em Simplicidade e Harmonia

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