Não tenha um carro

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Meu filho, se possível, não tenha um carro. Ou tenha um que você consiga manter sem sacrifícios.

O carro precisa te servir, e não você servir ao carro.

Segundo uma conhecida bandeira de combustíveis e lubrificantes, todo brasileiro é apaixonado por carro. Eu também era quando criança. Adorava acompanhar as corridas de Fórmula 1 na TV, principalmente as que aconteciam em Suzuka, no Japão. Só o fato de conseguir ficar acordado até a corrida começar na madrugada já era uma vitória. Essas eu raramente conseguia assistir até o final. Geralmente não passava de algumas poucas voltas após a largada, e eu caia no sono em seguida. Mas divago.

Quando era criança, vivi vários anos da minha vida sem carro. Ia caminhando para a escola, para a casa dos colegas quando tinha algum trabalho em grupo, para o dentista na época que usava aparelho, para o treino de basquete no ginásio municipal. Quase tudo era feito a pé. Quando precisávamos ir para um lugar muito longe, precisava de ônibus ou então de moto-táxi. Essa sempre foi minha última opção. Papai sempre teve muito medo de motocicletas. O chão ficava mais próximo e a velocidade maior sempre que eu subia em uma. Mamãe até tentou me convencer a andar com ela, me levando na garupa algumas vezes, mas não foi bem sucedida.

Na minha casa, aliás, na casa dos seus avós, só voltamos a ter um carro depois que fiz 18 anos e tirei a minha carteira de habilitação. Era um Gol geração 2, vulgo Gol bolinha, azul, bem chamativo. Ele ficou um bom tempo na família.

E foi aí que eu percebi que, junto com os benefícios de se ter um carro, também vem as despesas, os ônus. Tem que abastecer, trocar óleo, lavar, trocar pneus, contratar um seguro, pagar o licenciamento, os impostos, estacionamento, zona azul, eventuais multas, pedágio, flanelinha, mandar consertar as coisas que quebram, e elas quebram com mais frequência do que parece. Então, colocando na ponta do lápis, é que se percebe como manter um carro custa caro, até mais caro do que parece. 

Por isso que eu te digo, meu filho: só tenha um carro se puder sustentá-lo sem se comprometer demais financeiramente. Até lá, não é vergonha nenhuma usar ônibus, táxi, carro por aplicativo, ir a pé, comprar uma bicicleta. Só não pode gastar o que não se tem a troco de ter um pouco mais de conforto, se aquele conforto vai te deixando mais pobre a cada mês. Conforto é não ter dívidas, meu filho. 

E se quiser realmente não depender de carro, procure morar próximo aos locais que você precisa ir. More perto do trabalho, da faculdade, dos mercados, da escola dos seus filhos, enfim, more perto daqueles locais que frequenta. Quando, eventualmente, precisar ir a algum lugar que suas pernas não alcancem, chame um táxi, um carro de aplicativo, ou até mesmo alugue um carro. Sai mais em conta e te dá menos dor de cabeça.

E olha que falo isso tendo um carro na garagem. Ele funciona como uma reserva de emergência física, palpável. Eu sei que em qualquer eventualidade ele vai estar ali, para quando eu precisar. Mas isso tem um custo, e um custo bem alto. das 24 horas do dia, mesmo nas épocas em que eu mais o usava, ele passa cerca de 20 horas parado, estacionado, sem uso algum. É um meio de transporte muito ineficiente.

Então por isso que te dou esse conselho, meu filho: só tenha um carro que possa manter. Eles custam caro, e podem se tornar um grande problema financeiro se você comprar algo que está além da sua capacidade.

O texto acima é um trecho do novo livro que estou escrevendo. Deixe sua opinião nos comentários.

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