Saia da minha casa!

Foto por Vlada Karpovich em Pexels.com

Seu pai demorou pra caramba para sair da casa dos seus avós. Isso só foi acontecer em 2016, quando eu já tinha 26 anos e me casei com a sua mãe. Foi um mundo novo para mim, e se eu soubesse antes que seria tão bom, teria feito isso mais cedo.

Apesar de estudar fora da cidade desde os 15 anos, no ensino médio, e depois também fazer a faculdade em outra cidade, eu nunca havia morado fora. Como eu vivia em Araras e estudava em Limeira, cidades bem próximas entre si, com apenas 30 km entre elas, eu pegava estrada todo dia, indo e vindo durante toda a semana. Claro, houve uma época da minha vida que minha casa era apenas um dormitório. Eu saia bem cedinho e voltava à noite. Tomava banho, jantava e dormia. Era quase como morar em um hotel, com a vantagem de não precisar pagar diárias.

Na época da faculdade foi parecido. Trabalhava durante o dia das 7h às 17h, e ia para a aula no período da noite, e também aos sábados pela manhã. Praticamente eu só ficava o final de semana em casa, e ainda tinha que fazer as atividades da faculdade nesse tempo: trabalhos, exercícios, estudar para as provas. Era uma loucura. Para ajudar, durante o primeiro ano da faculdade, tive o privilégio de ser escolhido para servir um ano no Tiro de Guerra. Chamo de privilégio porque, naquele ano, as turmas que costumavam ter 100 atiradores, tiveram apenas 60, e com isso, o número de atividades no quartel foi bem maior do que costumava ser. Logo, sobrava ainda menos tempo para descanso, lazer e qualquer outra coisa que não fosse o trabalho, a faculdade e o exército. Foi uma experiência bacana servir, conheci muita gente, com alguns colegas ainda mantenho contato até os dias de hoje, mas foi extremamente cansativo. Acordar às 5h e ir dormir à meia-noite a semana inteira não era uma coisa das mais bacanas. Ainda bem que aos 19 anos a gente tem mais pique para aguentar essas maratonas.

Mas divago. Vamos voltar ao assunto. Sair de casa para morar com sua mãe foi a melhor coisa que fiz. É muito diferente ter a sua casa, mesmo que seja de aluguel, que foi o meu caso.

Você passa a ser responsável por tudo que é necessário para manter uma casa. Fazer a manutenção, a limpeza, lavar e passar a roupa, limpar o quintal, levar os cachorros para passear, cortar a grama, cozinhar e lavar a louça, manter a geladeira e a despensa abastecidos, e principalmente pagar as contas. 

A gente se torna adulto quando começa a pagar os próprios boletos.

Não que eu não ajudasse com nada quando morava com seus avós, mas é uma sensação diferente ter o seu nome na conta de água, no boleto de IPTU, na assinatura de internet.

Para mim foi uma mudança ainda maior porque eu simplesmente não fazia nada em casa quando morava com meus pais. Às vezes, bem de vez em quando, arrumava a cama, e só. Foi durante o tempo no Tiro de Guerra que aprendi a fazer algumas coisas, porque lá éramos nós, os atiradores, os responsáveis pela conservação e limpeza do espaço. Mas só fazia essas coisas nos dias em que estava de guarda, que era a menor parte do tempo que passava por lá. A coisa pegou para valer quando me mudei para morar junto com a sua mãe.

Foi basicamente ela que me ensinou a fazer tudo. Confesso que no começo eu não gostava nada de fazer os serviços domésticos, mas com o tempo foi ficando menos ruim, e chegou até o ponto de ser divertido. Hoje faço as coisas numa boa, de preferência ouvindo podcasts. É, seu pai é viciado nisso, confesso. Mas eles deixam os serviços mais agradáveis e divertidos, até mesmo aqueles extremamente chatos. Claro, ainda tem algumas coisas que não gosto de fazer, como lavar o banheiro, mas nessas horas eu e sua mãe dividimos as tarefas e fica tudo bem.

Morar na minha casa, onde eu e sua mãe somos responsáveis por tudo, foi transformador. Me tornei uma pessoa muito mais madura, responsável. Espero que você vá morar fora assim que possível, mesmo que seja numa casa ou apartamento ao lado do nosso. Ter o seu próprio espaço vai permitir com que você cresça, amadureça, e se torne uma pessoa cada vez melhor e mais responsável. Por isso desejo que você saia da minha casa o mais breve possível. Não é porque não te amo, mas sim porque te fará um bem imenso.

Processando…
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