Perdoe

Foto por Victoria Borodinova em Pexels.com

Filho, você não pode jamais se responsabilizar pelo que os outros fazem. Você pode apenas controlar o que sente, como reage a respeito das coisas. Essa é a lição mais valiosa do estoicismo, e de outras filosofias, e também uma das coisas mais importantes que escrevo neste livro.

Desde que eu me entendo por gente, o seu avô, também conhecido por meu pai, era uma pessoa que bebia muito. Ele tinha o hábito de ir a bares depois do trabalho, e demorava para chegar em casa. Muitas e muitas vezes chegava já embriagado, mal sabendo o que estava acontecendo. Devido a esse vício dele, várias vezes ele me deixou na mão. Uma ocasião que nunca me esqueci foi quando ele não apareceu na festa junina da escola, porque tinha ficado no bar bebendo. E eu sempre guardei isso comigo.

Toda vez que a gente brigava, ou tinha qualquer tipo de desentendimento, esse acontecimento voltava na minha mente, e eu fazia questão de relembrá-lo.

Tudo isso durou muito tempo.

Só depois de casado, já com meus 27 pra 28 anos, eu consegui perdoá-lo. Eu e sua mãe estávamos servindo em um retiro de noivos e namorados na Igreja, a Comunidade Senhor Bom Jesus, e uma das pregações terminava com duas pessoas caracterizadas como Maria e José, os pais de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com eles posicionados em frente ao público, o pregador convidava os participantes para abraçá-los, como se estivesse abraçando o próprio pai ou a própria mãe, como forma de pedir perdão, ou deixar para trás qualquer rancor, desavença ou decepção que a pessoa tivesse.

Nessa hora, eu desabei. Comecei a chorar compulsivamente, lembrando dessas situações que vivi com meu pai. Mesmo não sendo um dos participantes do retiro, sendo apenas um servo, fui o primeiro que levantou e foi abraçar o homem vestido de José. Foi emocionante. Ali foi quando consegui perdoar meu pai, e tirar um enorme peso das minhas costas. E foi a primeira vez na vida que tive essa experiência do perdão. Foi uma sensação tão boa, tão incrível, que nem sei muito bem como descrever. Só sei dizer que foi bom, e desde então consegui mudar a forma como encaro meu passado. Não posso fazer nada a respeito dele, é impossível voltar no tempo e alterar o que já aconteceu. A gente só tem como mudar o aqui e o agora.

Eu só queria não ter descoberto tão tarde como o perdão é importante.

É por isso que escrevo este capítulo, meu filho. Quero que você aprenda bem mais cedo do que eu como o perdão é importante. E o perdão não diz respeito ao outro, mas a você. É sobre você se sentir mais leve, melhor, em paz consigo mesmo. Não temos o poder de controlar o que os outros fazem conosco, mas temos o poder de controlar a forma como reagimos àquilo que nos fazem.

Sugestão de leitura

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