Ninguém quer começar de baixo

Foto por Andrea Piacquadio em Pexels.com

Bom dia!

Essa é uma das poucas realidades absolutas e comuns aos que fracassam, que são frustrados, os reclamões irredentos, os malas coitadistas e os socialistas em geral: A incapacidade de associar o sofrimento e o trabalho duro com “melhoria”, com progresso.

Planejar, estabelecer metas pessoais e de vida como um todo, pensar que a vida em si exige um constante sacrifício para que determinados objetivos – quaisquer que sejam – acabem alcançados é um sofrimento excruciante pra todo mundo em algum momento. Há os que superam e tomam a faina diária, essa correria enjoada pra fazer a vida um pouco melhor, o lubrificante que faz o nosso motor pessoal trabalhar melhor no serviço das transformações necessárias. Você está se fudendo hoje, mas é por algo bem melhor amanhã.

E tem aquele pessoal que se recusa ao sofrimento, num papo meio budista ao contrário, alegando que o sofrimento é desnecessário e que por algum motivo especial e exclusivo, não pode ser tolerado em algum grau. A pessoa se identifica com alguma doença parcialmente incapacitante (não pode ser doença que limite o sexo, a bebida, as festinhas, a praia, as piadas sem graça) e passa a vida se esquivando de realizar qualquer coisa que lhe imponha sofrimento – trabalhar em empregos ruins ou estudar, por exemplo.

Há os psicológicos, que sempre dão defeito depois de uns meses no trabalho por não suportar a pressão – pode ser faxineira de arquivo da secretaria de turismo daquela cidadezinha do interior do Maranhão – e se poem a arrumar atestados para todas as vezes em que a criatura misturou cinco latões de Glacial com aquele energético que vem na garrafa PET e vodka com nome de qualquer coisa russa. Sempre tem o tal Ardil 22 pra socar no incauto do dia, da vida, para evitar a falta, a prova, o relatório, a tarefa.

E tem os socialistas, que entendem o trabalho como exploração e subemprego, já que sempre eles estão produzindo mais riqueza do que recebem em pagamento, sendo naturalmente injusto o lucro do patrão, pois eles – pode ser o maluco cavando aquele buraco de fossa no meio do terreno com uma cavadeira e pá -, os trabalhadores, são os reais geradores de riqueza e assim sendo, o trabalho nunca deve ser levado a sério demais, a escola e a faculdade sempre serão espaços para coisas mais importantes do que o Estudo e a familia burguesa (foda-se se seu pai é pedreiro analfabeto) precisa lhe entender e sustentar enquanto você luta para muidar a sociedade e a vida de todes e todes no futuro incerto e não sabido. E com bolsa.

Essa galera é sempre aquele povo reclamão, injustiçado e que espera o melhor sem oferecer qualquer coisa antes. Esperam que o “carro preto” venha com uns caras oferecendo emprego “de paulista” (20k por mês, VT bom, onibus fretado, amizade com o patrão e sexta feira sai meio dia pra resolver as coisas) porque merecem e ponto. Brigam com o professor que cobra deles os trabalhos pois o professor nao entende que eles “trabalham muito” e que “merecem uma ajuda”, já que é “difícil para o pobre cescer desse jeito”.

Ah! mas a meritocracia não é assim, blablabla… eu não sou o melhor exemplo de nada, poderia SIM ter feito bem mais coisas da minha vida mas só fui cair a ficha meio tarde e certas oportunidades chave passaram batidas por minha ignorância de coitado-intelectual-sofredor-pobre-salvador-do-universo. Isso eu sei, ninguem precisa repisar. Mas eu já fiz muita coisa que me orgulho, que ajudou a construir minha família e dar rumos à minha vida e isso pra mim é excepcional. Eu acredito piamente no mérito: Se você é pobre, feio, mora longe e não tem gente que lhe ajude, seu futuro vai ser a treva mesmo. Desde que você assuma isso como DESTINO.

Não é apenas a tal da “humildade”, mas é perceber que a gente vai invariavelmente se ferrar um bocado até acertar, e nos ferramos mais na medida em que dependemos daquilo que herdamos de nossos pais. Se seus pais fizeram boas escolhas, nos lascamos menos, se não as fizeram – e nisso eles não são exatamente culpados -, nos lascamos mais, teremos de trabalhar mais para alcançar nossos destinos. Se escolhemos objetivos complexos, temos de os destrinchar em etapas e ir as cumprindo, feito uma Olimpíada do Faustão, passando vergonha atrás de vergonha até acertar, e eliminar cada etapa. A responsabilidade é nossa, não tem como terceirizar o esforço sem haver maior domínio do processo.

Talvez você não esteja no seu melhor, ou esteja aquém do que seus colegas estão ou mesmo sua família. Normalmente a gente não fica analisando fracassos, ou perdas – exceto o pessoal do nosso grupo de investimentos, esses fazem isso todo dia – mas acabamos caindo nestas ilações de vez em quando. Fatos são: Pangloss sempre está ‘meio certo’ quando fala pro Cândido que estamos no “melhor dos mundos” – o cara gelado no gavetão do IML está em uma situação um pouco mais complexa do que nós, dependendo do ponto de vista… e estamos sempre muito melhor do que a maioria das pessoas que vivem no nosso entorno. Apenas de saber quais são os nossos problemas reais, e termos discernimento pra avaliar isso, já pulamos na frente de uns 80% da população.

O problema é: A maioria da galera não topa. Faz parte.

Bom dia!

Publicado originalmente em:

Processando…
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2 comentários em “Ninguém quer começar de baixo

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