Você precisa se perdoar mais

Foto por Maik Kleinert em Pexels.com

Publicado originalmente em Valores Reais

Por ocasião das transmissões esportivas relativas ao torneio de tênis Grand Slam Aberto da Austrália, o ex-tenista Fernando Meligeni escreveu um texto magnífico que serve de forma integral para todos os que vivem foram das quadras: o saber se perdoar.

Algo tão raro nos dias de hoje, o perdão para si mesmo abre espaço para que possamos reconhecer que não somos infalíveis, que erros fazem parte da vida, e que devemos, ao invés de ficarmos nos culpando por eles, reconhecê-los, internalizá-los e… seguir adiante.

Segue abaixo o texto do Meligeni:

“A arte de se perdoar by Nadal

Fiquei pensando como eu abordaria o jogo de hoje. Ele foi espetacular em todos os sentidos.

Pela emoção, pela competitividade, pelo lado mental, físico ou tático foi maravilhoso.

Quando conheci o Nadal com 15 anos dento de um vestiário e fui surpreendido ao me dizer o que ele achou de um jogo meu como se tivesse 30 anos, não imaginava que vinte anos depois ele continuaria me ensinando e surpreendendo.

Hoje ele me fez perceber a forma linda e perfeita que ele lida com o jogo. A forma que ele se perdoa dentro da quadra.

Tênis é um duro esporte onde erramos quase todos os pontos. Em mais de um momento escolhemos errado, fazemos besteira e nossas escolhas nos fazem perder. Tão parecido com o que vivemos no dia a dia.

Vamos ao jogo.

Ele entra em quadra nervoso e com a tática que não dá certo. Percebe que precisa mudar. Ele reclama? Se culpa? Não. Se perdoa, pensa e executa. Sua luta, sua atitude o coloca no jogo. Saca para o segundo set e falha. Joga errado e mal. Ele abaixa a cabeça? Não. Se perdoa pelo erro que “poderia” ter acabado com o jogo.

Entra no terceiro diferente e muda o jogo. Vence o terceiro sendo mais agressivo e o quarto também. Cometeu erros? Sim. Menores. Mas cometeu. Não baixou sua intensidade.

No quinto tinha a chance de ganhar seu 21 Grand Slam. Joga muito e vai sacar para o jogo. Erra, sente a pressão. Qualquer jogador reclamaria, brigaria, abaixaria a cabeça. Se culparia. Não. Rafael Nadal entende que é do jogo errar. É da vida. Ao invés de chorar, buscar culpado. Olha para fora, se perdoa e continua pensando em como, onde, de que forma.

Nadal vence. Nem sempre o faz. Muitas vezes perdeu, errou, sentiu. Sempre se perdoou. Sabe por que?

Simplesmente porque erramos. Não somos perfeitos. E se ficamos no erro já era. Aceitar que erramos querendo resolver o que aconteceu é a chave de um grande esportista que hoje e sempre nos mostra que sempre existe o próximo ponto.

Gracias Rafa.”

E como tudo isso se aplica em sua vida pessoal?

Em primeiro lugar, saiba admitir que erros irão acontecer, que você não é perfeito, e que o fundamental é que você estava agindo com a intenção de fazer o seu melhor.

É evidente que, nessas horas, quando se tem mais conhecimento, quando se tem mais maturidade, a primeira coisa que vem à mente é: “…. eu poderia ter feito isso de forma diferente no passado…”.

Mas o passado já se foi.

Você pode ter a certeza de que fez as escolhas certas, considerando as circunstâncias da época, e seu conhecimento da época. Não tinha como ser diferente… àquela época.

Hoje, com outra cabeça, outra mente, outra visão de mundo, com muito mais conhecimento, muito mais sabedoria, e muito mais discernimento, você provavelmente não faria coisas que fez no passado.

Mas o ponto é exatamente esse: saiba se perdoar.

É como diz aquela famosa frase atribuída ao Chico Xavier: “você não pode voltar atrás e fazer um novo começo, mas você pode começar agora e fazer um novo fim”.

Esse é ponto.

Aprenda com os erros do passado para quando, defrontando-se com situações inéditas aqui e agora, você aja de modo diferente – e melhor.

Na vida, assim como no tênis, sempre existe uma próxima oportunidade. Um próximo mês. Uma próxima semana. Um amanhã. Um hoje. Recheado de possibilidades para ser preenchido com novas atitudes e novos comportamentos.

Conclusão

Já dizia o poeta:

Tudo vale a pena se a alma não é pequena. 

Errar faz parte do jogo da vida. Perdoar-se também faz – ou deveria fazer.

Não seja tão rígido consigo mesmo.

Leve a vida de forma mais leve, carregando menos sentimentos de culpa, e mais sentimentos de gratidão – gratidão por estar vivo, gratidão por ter consciência de novas possibilidades em sua vida, gratidão por continuar a percorrer essa estrada que se chama vida.

Agindo assim, tudo se tornará muito mais tranquilo e mais proveitoso.

Aproveite e leia também o texto publicado pela amiga Rosana – Seja gentil com você mesmo – que aborda uma temática muito semelhante a aquela versada no texto de hoje!

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

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