Faça parte de um grupo, de uma comunidade

Foto por ricardo berger em Pexels.com

Filho, seu pai nunca foi uma pessoa muito sociável. Sempre gostei de ficar em casa, assistindo TV e jogando meu video-game. Talvez seja consequência de já ficar quase o dia todo fora de casa desde o começo do ensino médio, quando eu estudava em período integral. Desde então, sempre apreciei os poucos momentos que podia ficar em casa, de boa, sem fazer nada. Nunca fui de ir pra balada, ou farra, raras vezes isso aconteceu. E ainda bem que sua mãe também navegava bastante na internet, senão a gente não teria se conhecido. Mas um dia te conto essa história.

Pois bem, eu comecei a perceber a importância de fazer parte de um grupo quando servi no Tiro de Guerra. Eu tinha apenas 19 anos e tive uma excelente experiência por lá. Era realmente importante fazer parte do grupo, porque você poderia facilmente ser boicotado por alguém lá dentro e então precisar ficar de serviço extra por algo que você não fez. Todo mundo precisava se ajudar, principalmente nas instruções fora do tiro de guerra ou quando estávamos de guarda. Um vacilo da equipe de guarda e sobrava para todo mundo. 

Depois que terminei o tempo de serviço no tiro de guerra, por convite de um amigo, comecei a fazer parte de um time de futebol americano da cidade. Era um bando de malucos, olhando em retrospectiva. Jogávamos um esporte com muito contato, e a única proteção que usávamos, quando muito, era um protetor bucal, para não perder os dentes. A consequência lógica dessa insanidade é que os jogadores sempre se machucavam, e muitos não voltavam mais para participar dos treinamentos. Jogando sem equipamentos também era impossível participar de campeonatos. Era preciso comprá-los, e na época ainda era um custo bem alto trazer esses equipamentos de fora. 

Finalmente, em um domingo de treino, apareceram apenas duas pessoas: eu e o Murilo. Acabamos conversando a tarde inteira, pensando em como dar um rumo para o time. Não queríamos que ele acabasse. 

Resolvemos pesquisar e descobrimos que havia uma modalidade de futebol americano chamada flag football, em que não havia necessidade de muito equipamento. Era muito mais barato e simples de jogar. Inclusive, já existiam campeonatos sendo disputados no país. Logo, com essa nova informação, começamos a trabalhar nisso e, no ano seguinte, já estavamos disputando o Campeonato Paulista.

Mas só conseguimos porque tivemos envolvimento, participação, não só dos jogadores, mas também de esposas, amigos e familiares. Graças a esse apoio conseguimos levantar dinheiro para pagar as despesas, preparar o campo para jogo, comprar uniformes. Eu ou o Murilo não teríamos conseguido nada sozinhos. 

Em outro lugar que eu conheci o poder da comunidade foi na Igreja. Desde que casei com sua mãe e passamos a morar em Limeira, comecei a participar da Comunidade do Senhor Bom Jesus. E o que mais me impressionou é como a dedicação e a ajuda da comunidade, dos fiéis, torna as coisas possíveis.

A comunidade é conhecida pelos seus retiros, e para fazer um retiro precisa-se de dinheiro, claro, mas principalmente de pessoas. E é incrível como as pessoas fazem tudo acontecer por lá. Vários dos retiros tem alguma refeição inclusa para os participantes, e apesar do dinheiro arrecadado com as inscrições cobrir essas despesas, acaba que várias vezes os alimentos são conseguidos através de doação dos fiéis, sobrando pouca coisa para ser comprada. Todo mundo também se dispõe a ajudar. É muito comum ter mais gente ajudando no retiro do que participando dele. São pessoas que passam o dia cozinhando, lavando louça, limpando o salão, orando, e em geral tudo isso para pessoas que elas nem conhecem, ou mesmo jamais viram na vida. Essas mesmas pessoas também estão lá para orientar, aconselhar, ouvir e orar por você, basta pedir. E isso que faz a comunidade permanecer cheia, movimentada, e cada dia que passa crescendo mais. São coisas impressionantes em uma época que as religiões em geral estão perdendo fiéis, e na qual a Igreja precisa concorrer com tantas outras coisas.

Outros exemplos de que comunidades ajudam muito a te manter na linha, fiel a um objetivo, eu descobri no mundo dos investimentos. Seu pai assinou por muito tempo um site sobre investimentos chamado Bastter.com. O mundo dos investimentos, das finanças pessoais, quando você não conhece nada e é apenas um iniciante, pode te levar a fazer muita burrada. E eu fiz isso. Acreditei em promessas de enriquecimento fácil baseado em dicas de uma casa de análise. Acabei pagando por um ano a assinatura para seguir as dicas deles, investindo meu dinheiro em coisas que eu não conhecia, e que não tinha a menor ideia de como funcionava. Só perdi tempo e dinheiro. Por sorte, eu ainda era novo e não perdi muita grana, mas é como dizem: ou você ganha, ou você aprende. No caso, eu aprendi e muito, aprendi que não se deve acreditar em promessas mágicas e milagrosas de multiplicar seu dinheiro. 

Ainda mais importante que fazer parte do grupo, é estar aberto para ouvir as experiências alheias. Mesmo que você não concorde com tudo, ou mesmo com a maioria do que é dito, seja um bom ouvinte e até mesmo discorde, mas seja respeitoso e educado. Ninguém é convencido pela violência verbal, mas sim por ideias melhores e que fazem mais sentido do que aquelas que a pessoa já conhece.

Este é mais um trecho do meu futuro livro. Deixe sua opinião nos comentários

Processando…
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6 comentários em “Faça parte de um grupo, de uma comunidade

  1. Olá Vida Rica,

    Parabéns pelo artigo.

    Até meados de 2019, eu ficava deslocado quando falava de investimentos, filosofia e estilos de vida. Sempre me olhavam com restrição.

    A partir de 2019, conheci a comunidade FIRE e os diversos blogs. E sinto-me acolhido, mesmo que virtualmente. Isso tem o poder de manter a caminhada de maneira mais convicta.

    Abraços,

    Curtido por 1 pessoa

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