Moeda não é investimento!

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Nesses tempos de crises e criptomoedas, não é incomum ouvir que “fulano investiu em Bitcoin e rendeu 3.000%”, “um cara investe em dólar e está rendendo mais do que qualquer renda fixa”, ou qualquer variação dessas frases.

O problema é um só: moeda não é investimento!

De novo: moeda não é investimento!

Mais uma vez, para fixar bem: moeda não é investimento!

Seja lá qual for a moeda que você tenha, pode ser o real brasileiro, dólar, euro, franco suíço, Bitcoin etc, nenhuma delas pode ser considerada um investimento, simplesmente porque você não recebe juros ou rendimentos simplesmente por possui-las.

Diferente de uma ação na bolsa, uma cota de fundos imobiliários, um imóvel alugado ou até mesmo a boa e velha poupança, você não vai receber nada simplesmente por ter comprado qualquer moeda. O único jeito de se conseguir algum rendimento com elas é através de especulação, tentando comprar quando ela está desvalorizada e vender quando ela se valoriza (é a velha história de comprar barato e vender caro).

E especular, meus caros, não é uma atividade de investimentos, é um trabalho! Sim, um trabalho. Você precisa ficar o tempo todo acompanhando cotações, a movimentação do mercado, estudar bastante para conseguir enxergar os pontos ideias de entrada e saída no negócio. E é uma atividade que você pode fazer com absolutamente qualquer coisa, desde livros, carros e discos antigos até imóveis e moedas.

Então para que servem as moedas?

A diversificação em outras moedas além daquelas que são usadas no seu país – no caso do Brasil, o real – serve como uma proteção, também chamada de reserva de valor. Ou seja, caso uma crise atinja a economia do seu país, você possui uma moeda estrangeira que pode ser usada no lugar. Por ser uma moeda usada em quase todo o mundo, o dólar americano costuma ser o escolhido por quem pretende montar essa reserva de valor.

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Na Venezuela, o bolívar vale mais como guardanapo do que como dinheiro

Em uma situação de hiperinflação, como a que está acontecendo nesse momento na Venezuela, e pela qual o Brasil passou na década de 1980, a moeda local perde seu valor, já que ninguém mais a aceita devido ao fato de ser impossível saber se ela ainda vai valer a mesma coisa daqui 30 dias. A situação fica imprevisível, os preços ficam distorcidos, enfim, as pessoas não conseguem mais calcular o preço adequado das coisas naquela moeda. Então elas partem para soluções alternativas, como o escambo e a dolarização.

Elas podem usar esses dólares tanto para adquirir produtos para sua sobrevivência, como para fugirem do país até as coisas melhorarem. É por isso que em países com a economia instável, as pessoas costumam comprar dólares para manter algum poder de compra em caso de necessidade.

Atualmente, com a popularização das criptomoedas, muitas pessoas também tem feito essa reserva de valor em bitcoin, já que ela também é aceita mundialmente e pode ser facilmente transportada para qualquer local do mundo, sem a necessidade de carregar um grande maço de dinheiro, ou mesmo algumas malas, como nossos políticos adoram fazer.

ethereum and bitcoin emblems

Agora ficou clara a diferença entre investimento e reserva de valor?

Se tiver alguma dúvida, deixe nos comentários!

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O Graal dos Investimentos Bem Sucedidos – Parte 4 (Final) – A Tríade Básica

Se você chegou aqui agora, leia os dois artigos anteriores desta série:

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Na série de artigos “O Graal dos investimentos bem sucedidos” aprendemos como a diversificação é importante, e praticada até mesmo por aqueles que dela desdenham em seus discursos. Conhecemos um pouco mais sobre as classes de ativos, e boa parte dos ativos que as compõem. Travamos também contato com o importante conceito de covariância, o “pulo do gato”.

Agora, apresentarei o conceito da tríade básica, mostrando as razões pelas quais acredito que um portfólio bem alocado deve conter estas três classes de ativos: a renda fixa, a renda variável e o câmbio.

Por que alocar?

Quando um investidor coloca 100% do seu capital em uma única classe de ativos, seu portfólio sempre ficará refém de alguma situação de risco.

O hiperconservador, que aloca 100% do seu capital em renda fixa, se esquece que o maior risco é não correr risco algum. Se em cenários normais esse investidor terá um portfólio com baixa volatilidade, ele também apresentará quase sempre, baixa rentabilidade. E em um mundo com juros baixos, e em queda, essa baixa rentabilidade pode até mesmo perder para a inflação, o que estaria transformando essa suposta segurança em rendimentos negativos (perdas).

Já o hiperagressivo, que aloca 100% do seu capital em renda variável, repetindo sempre a máxima de que “no longo prazo a bolsa sempre sobe”, acredita que ser conservador é perder oportunidades. Ele esquece que “conservador” vem da palavra “conservar”. E conservar capital não é exatamente o que acontece quando se está 100% comprado em ações em um momento onde a bolsa cai 60%.

Dizem que a grande iluminação do príncipe Gautama, o Buda, ocorreu quando ele descobriu que a resposta para todas as questões estava no que ele chamou de “o caminho do meio”.

Reza a lenda que o príncipe meditava sob uma árvore quando viu passar uma barca com um professor de música e seu aluno. O professor, enquanto afinava um instrumento de cordas, disse ao aluno:

“Se você deixa a corda muito frouxa, ela não faz som algum. Porém, se a esticar demais, ela estoura.”

Aposto que se o príncipe investisse no mercado financeiro, teria descoberto, naquele momento, a alocação de ativos.

Risco Cambial e a covariância oculta

Para encontrar o caminho do meio entre o conservadorismo e a agressividade, é preciso avaliar outro ponto importante. Tanto o hiperconservador como o hiperagressivo dos exemplos acima, estão deixando de considerar o risco cambial.

Quando uma grave crise afeta o mercado brasileiro, é bastante comum que o dólar, o euro e outras moedas estrangeiras se apreciem fortemente em relação ao real.

Nesse caso, o hiperagressivo vê as ações perderem valor em reais enquanto as moedas estrangeiras disparam, e ele se vê perdendo dos dois lados. Para ele, a covariância entre bolsa e câmbio é bastante explícita, e joga contra seus resultados.

Já o hiperconservador pode até se iludir de que não esteja perdendo muito. Seus ganhos nominais (em reais) podem até continuar crescentes em meio à uma crise. O problema é que ele está sofrendo uma forte perda cambial, pois o valor do real está se depreciando fortemente nesses momentos.

Pense um pouco. Se o dólar sobe em relação ao real, cem mil reais continuam sendo cem mil reais. Parece que não houve perda alguma. Mas o simples fato de que você poderá comprar cada vez menos dólares com esses reais, significa que o valor deles está se depreciando, mesmo que você não perceba. Isso é o que chamo de “covariância oculta”, ou “ilusão nominal”. Mais sobre esse assunto aqui e aqui.

O erro ocorre quando tomarmos as moedas nacionais (quaisquer que sejam) como padrões de medição de valor, nos esquecendo de que seus preços (e valores) também flutuam. É como tentar medir algo com uma régua que muda de tamanho o tempo todo. O resultado será sempre, inevitavelmente, o erro.

Ao perceber que além da covariância explícita entre renda variável e câmbio, existem covariâncias ocultas entre as moedas, um bom observador chega à conclusão de que é necessário montar um “tripé” que possa suportar o seu portfólio em qualquer cenário. A esse tripé, costumo chamar de a tríade básica.

A tríade básica

Essa tríade é composta das três classes de ativos que mencionamos acima: renda fixa, renda variável e câmbio. A título de exemplo, vamos observar um portfólio alocado de forma totalmente equilibrada entre essas três classes:

Tríade Básica

Esse portfólio está agora preparado para lidar com os mais diversos tipos de cenários econômicos e financeiros, sem deixar o investidor a ver navios.

A renda fixa traz rendimento em moeda local, através de juros. A renda variável “apimenta” os resultados, ampliando os ganhos durante os mercados de alta. E o câmbio protege boa parte do valor do portfólio durante as crises de liquidez, e momentos de fuga de capitais.

Com um portfólio assentado sobre essa tríade, o investidor sempre terá pelo menos uma das classes apresentando boa performance, enquanto as outras podem estar sofrendo em graus diferentes. Um portfólio assim alocado dificilmente apresentará perdas volumosas para o total do capital, pois sempre que uma das classes estiver em crise, outra estará oferecendo uma boa performance relativa.

Vejamos como esse portfólio pode se comportar nos diversos cenários.

Cenário Otimista

Essa é aquela hora da alegria, onde milhares de novos investidores chegam às bolsas de valores, atraídos pela forte valorização dos papéis. Todo mundo quer ganhar dinheiro rápido e ficar rico, e quanto mais os preços sobem, mais insuportável é a sensação de estar perdendo o bonde, para quem está de fora.

Nesses momentos, as ações sobem com força, multiplicando o capital dos acionistas de forma impressionante. Entre 2002 e 2008, por exemplo, o Ibovespa subiu mais de 700% em reais. Se medido em dólares, a alta foi de mais de 1.800%. Isso seria suficiente para transformar U$ 100.000,00 em mais de U$ 1.900.000,00.

Essa alta maior em dólares ocorre por conta da nossa já conhecida covariância. Enquanto a bolsa brasileira e o real se apreciam, o dólar perde valor, o que faz com que o resultado do Ibovespa medido em dólares seja ainda maior do que se medido em reais.

O grande problema, como sempre, é acertar o timing.

Se para profissionais do mercado, essa já é uma tarefa complicada, para os novatos que acabaram de chegar, atraídos pela grande algazarra, isso é quase impossível. Quando a música da “dança das cadeiras” acaba, a correria é imensa, e a queda vem com muito mais rapidez e brutalidade do que a alta, deixando milhares de novatos no meio do salão, em pé, procurando as cadeiras, que já não existem mais.

Tradução: Prejuízos vultosos, e uma baita ressaca.

Porém, se o investidor estiver usando um modelo de alocação assentado na tríade básica, ele obterá um resultado teórico parecido com este:

Cenário Otimista

Com o preço dos ativos de renda variável subindo, e o preço dos ativos cambiais caindo, o desvio percentual entre essas duas cestas aumentará de forma brutal, pelo efeito da covariância. Ou seja, o ganho de um lado, associado à perda do outro, provoca uma grande distorção entre essas duas classes de ativos.

A renda fixa tende a seguir se comportando de forma normal, ganhando pouco, e de forma mais ou menos constante. Note porém que, mesmo que ela apresentar ganhos, seu percentual na alocação pode diminuir em relação à renda variável, dependendo do tamanho da alta nas bolsas.

Como neste caso o investidor está ganhando bastante dinheiro na bolsa, e perdendo no câmbio, ele começa a praticar a realocação de ativos. Neste caso, ele venderá os excedentes em renda variável (realizando lucros), e usará os recursos para adquirir mais ativos cambiais (e/ou renda fixa, se for o caso).

Dessa forma, ele volta a equilibrar seu portfólio. Lembre-se que, com isso, ele não apenas realiza parte dos lucros na bolsa, mas também reduz seu preço médio de aquisição dos ativos cambiais, obtendo ganhos nas duas pontas. Um excelente negócio.

Cenário pessimista

Essa é a hora em que a palavra CRISE não sai dos noticiários. Quedas brutais nas bolsas de valores, forte alta do dólar, empresas demitindo, outras quebrando, governos em polvorosa fazendo reuniões de emergência para discutir como “salvar o sistema financeiro” de mais um tropeção.

É a hora em que a maioria dos novos investidores é ejetada do mercado, geralmente muito mais pobre do que entrou. O sonho de enriquecer rapidamente dá lugar ao pesadelo de ficar ainda mais pobre, e ainda ter que enfrentar a crise lá fora, com as empresas demitindo, e algumas até mesmo fechando as portas em definitivo.

Porém, se o investidor estiver usando um modelo assentado na tríade básica, ele obterá um resultado teórico parecido com este:

Cenário Pessimista

E enquanto tudo é choro e ranger de dentes para a imensa maioria, o portfólio assentado na tríade básica permanece saudável. Desta vez, porém, é a parcela em renda variável que perde valor, enquanto a parcela cambial sobe com força.

Mais uma vez, a volatilidade é amortecida pela covariância, e enquanto algumas pessoas perdem tudo na bolsa, o valor total deste portfólio pode cair muito pouco, ou até mesmo continuar subindo.

Com a liquidação nas ações, que caem de preço, e a alta no câmbio, o investidor começa a vender parte dos ativos cambiais que se valorizaram, e com o capital proveniente dessas vendas, ele passa a adquirir mais ações.

A mecânica é a mesma, apesar de no sentido inverso. Só que desta vez, o investidor realiza lucros no câmbio, e “vai à feira”, comprar muitas ações a preços muito baratos. Com isso, ele também reduz o preço médio de aquisição dessas ações, e volta a acumular papéis na baixa, para depois voltar a lucrar com elas, durante o próximo ciclo de alta.

A renda fixa tende a se comportar da mesma forma de sempre, oferecendo rendimentos baixos, e mais ou menos constantes. E novamente, mesmo que o resultado absoluto na renda fixa seja de ganhos, o percentual dessa classe pode tanto aumentar como diminuir, dependendo o tamanho da variação nos preços das outras classes de ativos. Não importa.

Durante a realocação, o objetivo é sempre trazer o portfólio de volta ao equilíbrio original. Isso é feito vendendo os excessos do que subiu, e adquirindo mais do que caiu, de modo a sempre que houver um grande desvio, trazer o portfólio de volta à alocação original.

Mas, e se tanto a bolsa quanto o câmbio caírem? E se a covariância entre dólar e Ibovespa deixar de existir, e ambas as classes perderem preço ao mesmo tempo?

Cenário carry trade

Carry trade é o nome dado à operação na qual o investidor toma empréstimos a juros baixos em uma moeda (Yen, dólar, Franco Suíço, etc), e investe o capital em uma outra moeda que paga juros mais altos, visando embolsar a diferença entre as taxas (spread).

Nesse caso, é possível que o investidor estrangeiro não queira investir na bolsa brasileira, mas apenas na renda fixa local, pois ele pode obter um bom lucro apenas com o diferencial dos juros somado à valorização cambial que o movimento provoca.

Nesse cenário, a moeda estrangeira cai em relação à moeda local, devido ao forte fluxo de recursos que vem aproveitar os juros mais altos, mas esse dinheiro acaba não indo para o mercado acionário, ficando estacionado na renda fixa local.

Nesse caso, o portfólio assentado sobre a tríade básica obterá seus ganhos justamente da classe de renda fixa, de onde sairão os recursos para adquirir mais ações e câmbio.

Vejamos:

Cenário Carry Trade

A renda fixa continua como sempre, rendendo pouco, de forma mais ou menos constante. Porém, a queda forte no preço das ações e dos ativos cambiais faz com que o percentual alocado em renda fixa cresça em relação às outras classes.

Neste caso, o portfólio tende a apresentar perdas maiores em seu valor total nominal, ou seja, medido na moeda local. Mas se lembrarmos da covariância oculta, perceberemos que o que está acontecendo é uma forte valorização da moeda local (no caso, o real). Isso tende a amortecer boa parte da perda de valor nominal do portfólio. Simplificando: O portfólio tem menos reais, mas eles valem cada vez mais.

Durante esta fase, o investidor venderá os excedentes em renda fixa, e usará os recursos para adquirir mais ações e mais ativos cambiais, se aproveitando de um real forte, e de ações e câmbio depreciados.

Eu poderia repetir novamente que ele estará realizando lucros na renda fixa e reduzindo o preço médio de aquisição das ações e do câmbio mas…ah, você já entendeu essa mecânica, certo?

Mas e a especulação, nada?

Toda a mecânica do portfólio assentado sobre a tríade básica funciona do mesmo jeito, quer você tenha separado um percentual qualquer para especular ou não. Obviamente, se esse percentual for muito grande, e o seu timing for sofrível, você pode destruir completamente os efeitos positivos que a alocação de ativos traz.

De um modo geral, você só deve separar parte do capital para especular se realmente tiver um método testado, e no qual confia plenamente. Se esse método permite que você tenha mais ganhos do que perdas ao longo do tempo, alocar uma pequena parte do capital para praticá-lo vai ajudar muito a aumentar a rentabilidade total do portfólio.

Agora, se você for daqueles que, para cada cinco reais que ganha, perde dez, e o faz com bastante constância, recomendo que deixe a especulação de lado, e adote apenas um modelo de alocação assentando sobre a tríade básica.

Mesmo que você tenha um método no qual confia para especular, é prudente alocar apenas uma pequena parte do total do capital para essa atividade. Shit happens. De um modo geral, de 5% a 10% do total do portfólio estão de bom tamanho. No gráfico abaixo, utilizei 10% apenas a título de exemplo:

Tríade e Especulação

O importante é que o resto do capital seja dividido entre as três classes de ativos que compõem a tríade básica, de modo que, aconteça o que acontecer, você não tenha que passar pelo que milhares de investidores passam durante as crises no mercado financeiro.

E se você errar a mão na hora de especular, ou seu sistema falhar, você limita suas perdas a no máximo, 10% do seu capital (no caso acima), enquanto a maior parte segue muito mais segura, apoiada sobre um bom modelo de alocação.

Como fazem os bilionários?

Recomendo fortemente a leitura deste artigo de João Sandrini para o Infomoney, onde Luis Barsi conta como ficou bilionário investindo em ações. O grande segredo dele pode ser resumido em comprar ações exatamente durante as crises.

O problema é que quando a crise chega e as ações ficam baratas, a maioria dos investidores costuma estar perdendo tanto dinheiro, que não tem de onde tirar capital para comprar. No geral, nesses momentos, eles estão vendendo, ou seja, fazendo exatamente o contrário do bilionário. Hmm…

O modelo da tríade básica resolve exatamente esse problema, ao oferecer a oportunidade de termos lucros em uma classe de ativos, enquanto outra está sofrendo. E o melhor é que isso vale não apenas para quando a bolsa cai, mas em qualquer cenário, porque sempre que há uma crise em alguma classe de ativos, seja ela renda variável, renda fixa ou câmbio, haverá outra classe “voando alto”.

Crise, Oportunidade, Sorte e Preparo

Tem muita gente que diz que ganhar dinheiro no mercado financeiro é questão de sorte.

Mas eu escutei uma vez que “a sorte é o encontro do preparo com a oportunidade”.

E para os chineses, “CRISE é igual a OPORTUNIDADE”.

Então, as oportunidades são as crises, e elas são abundantes. O preparo para aproveitá-las nos é dado pelo modelo de alocação assentado sobre a tríade básica.

Agora, basta juntar as duas coisas, e deixar que a “sorte” faça o resto.

Abraços.

Jonas Faga Jr. – 18 de maio de 2013

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O Graal dos Investimentos Bem Sucedidos – Parte 3 – O Pulo do Gato

Se você chegou aqui agora, leia os dois artigos anteriores desta série:

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E naquele momento, fez-se a luz que iluminou a noite escura da minha alma.

Era o momento mais difícil da minha vida até então, e eu procurava respostas de cunho filosófico, existencial, e espiritual, que pudessem me guiar através daquele momento tenebroso. Jamais, em sã consciência, poderia imaginar que o insight obtido ali, fosse ser transportado, meses depois, para a gestão da minha carteira de investimentos. Não poderia tampouco supor que a partir dessa descoberta, eu recuperaria minha saúde, meu precioso tempo, e ainda ganharia de quebra resultados muito mais consistentes ao longo dos anos que viriam pela frente.

E ali, olhando atentamente para aquele símbolo milenar do Yin-Yang, eu compreendi intuitivamente, onde estava errando, e o que deveria fazer para começar a acertar. Ao fundo, em uma dessas curiosas sincronicidades que acontecem vez por outra, a voz de Lulu Santos cantava um trecho da música “Certas coisas”:

“…não existiria som se não houvesse o silêncio, não haveria luz se não fosse a escuridão. A vida é mesmo assim, dia e noite, não e sim…”

Foi nesse momento que eu, inadvertida e intuitivamente, travei contato com o conceito conhecido pelos estatísticos como covariância. Covariância é, em palavras simples, a relação direta entre o movimento de duas variáveis. Ou seja, quanto do movimento de uma delas está relacionado ao movimento da outra.

Para facilitar a compreensão, imagine duas crianças brincando em uma gangorra. Enquanto uma delas sobe, a outra desce, e vice-versa. Desde que a gangorra não se parta ao meio, não há possibilidade das duas pontas do brinquedo subirem ou descerem ao mesmo tempo. O movimento de uma das pontas varia em função do movimento da outra.

O conceito, além de ter se mostrado extremamente útil em muitas outras áreas da minha vida (que no momento não vem ao caso), foi transportado para meus investimentos quando vi pela primeira vez um gráfico onde estavam traçados o Ibovespa e o Dólar Comercial, sobrepostos.

Covariância Dólar x IBOVESPA

No gráfico abaixo, que engloba o período de janeiro de 1999 até hoje, a linha preta representa a evolução em pontos do IBOVESPA, enquanto a linha verde representa a evolução, em Reais, dos preços do dólar americano.

 

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Fonte: O Ponto Base

 

Perceba as finas linhas verticais pontilhadas que adicionei ao gráfico. Elas marcam topos e fundos importantes nos dois ativos.

Note que esses topos e fundos ocorreram em sincronia, ou seja, enquanto o Ibovespa fazia um topo, o dólar fazia um fundo, e vice-versa.

Perceba também que, além dos topos e fundos, na maior parte do tempo, enquanto um dos ativos esteve em tendência de alta, o outro estava em tendência de baixa. Quase como em uma gangorra.

 

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Isso é divertido…

Dólar e IBOVESPA apresentam, portanto, aquilo que os estatísticos denominaram covariância. Isso significa que seus movimentos estão interligados, e que existe alguma relação entre ambos (embora a razão dessa relação seja dinâmica, ou seja, não constante).

Isso ocorre porque no mercado brasileiro, a participação dos investidores estrangeiros sempre foi determinante. Movimentando um volume de recursos muito maior do que os investidores nacionais, os investidores estrangeiros sempre foram “o elefante na sala de estar” do mercado financeiro nacional.

Quando nosso mercado acionário parece oferecer boas oportunidades de compras, esses investidores trazem muitos dólares do exterior para o Brasil, trocam por Reais, e os utilizam para comprar ações. Esse movimento acaba por pressionar a cotação do dólar para baixo (devido à maior oferta), e elevar as cotações das ações (devido à maior procura).

Quando o cenário se inverte, os estrangeiros vendem suas ações e utilizam os ganhos para comprar dólares, pois precisam remeter seus lucros de volta para o exterior. Nesse momento, a dinâmica se inverte, com o preço das ações caindo, e o preço do dólar subindo. É interessante notar que, nesse movimento, eles obtém lucros que não estão limitados à apreciação das ações, mas também, à depreciação do câmbio.

Imagine, a título de exemplo, os estrangeiros trazendo dólares para o Brasil durante os últimos meses de 2002, quando sua cotação chegou a atingir R$ 4,00. Com esses Reais, eles puderam adquirir ações quando o Ibovespa estava por volta de 8.500 pontos.

Cinco anos depois, com o Ibovespa já acima dos 70.000 pontos (portanto com ganhos de mais de 700% em reais), esses mesmos investidores poderiam vender suas ações (com polpudos ganhos em reais) e voltar a adquirir dólares. Só que dessa vez, pagariam apenas R$ 1,60 por cada dólar (que antes haviam vendido por R$ 4,00), ou seja, poderiam comprar pelo menos 2,5 vezes mais dólares do que em 2002. São praticamente duas operações em uma só, uma com ações, e outra com câmbio.

Foi então que comecei a atentar para a extrema importância de indexar os gráficos, primeiramente em dólares, e mais tarde em ouro, como comentei neste artigo sobre o Dow, e neste artigo sobre o IBOVESPA.

Mas e o que tem o gato a ver com isso?

O “pulo do gato” para mim foi entender que sempre que eu mantivesse minha carteira apontada na direção de um viés único, isso me forçaria a ter que acompanhar o mercado dia a dia em busca de tentar adivinhar o momento em que esse viés deixaria de predominar. Se eu não o fizesse, correria o risco de ver minha carteira derreter, exatamente como vi em 1997, durante o estouro da crise asiática, meu batismo de fogo no mercado financeiro. Ainda bem que eu não estava alavancado.

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Isso não tem graça nenhuma…

Eu adoro o mercado financeiro, mas ficar preso a ele diariamente em busca de sinais de reversão de tendências sempre me pareceu um enorme desperdício de tempo. Existem coisas muito interessantes às quais também gosto de me dedicar, e, segundo dizem, “a vida é uma só”.

A dificuldade em detectar esses momentos de reversão de forma consistente ao longo dos anos, tornam essa atividade ainda mais estressante. Definitivamente, estressar-se não é um bom modo de usar nosso recurso mais precioso, o tempo.

Foi então que, aceitando minhas limitações em lidar com o imponderável, e relembrando do símbolo do TAO, resolvi brincar de gangorra da forma certa, e desenhei meu primeiro “modelo” rudimentar de alocação de ativos. Dividi meu portfólio em duas metades, uma delas alocada em ações (escolhidas a dedo com base em bons fundamentos), e a outra metade alocada em fundos cambiais atrelados ao dólar.

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A partir desse momento, comecei a observar uma dinâmica completamente diferente no portfólio. A volatilidade dele se reduziu drasticamente, não importando qual era a tendência predominante no momento. Se as ações subiam, o dólar caía, e vice-versa. Isso fazia com que o valor total da carteira aumentasse ou diminuísse com intensidade muito menor do que a que experimentei em 1997, e que me fez oscilar da euforia total, ao desespero total, em questão de poucas semanas.

A pergunta óbvia que todos me faziam era a mesma que deve estar despertando em sua mente bem agora: “-Mas qual a vantagem de montar uma carteira cujo valor total não se movimenta tanto com o movimento do mercado? Isso não dá em empate? Afinal, se você ganha de um lado, perde do outro. Isso não faz o mínimo sentido”.

Realmente, para fazer sentido, temos que nos aprofundar um pouquinho mais. Siga comigo.

Realocando seu portfólio

Se a percepção sobre o “hedge” imperfeito obtido com a alocação da carteira foi o impulso para cima no “pulo do gato”, a re-alocação foi o pouso do bichano, no chão firme.

Consulte novamente o gráfico com IBOVESPA e dólar do início do artigo e perceba que, de um modo geral, enquanto um dos dois ativos se aprecia, o outro perde valor. Porém, nenhum desses dois ativos mencionados apresenta uma chance muito alta de perder 100% de seu valor. Ao mesmo tempo, ambos apresentam diversas chances de dobrar, triplicar, ou mesmo quadruplicar de valor ao longo do tempo.

Assim, enquanto um deles está em tendência de alta, oferecendo ao capital a chance de multiplicar-se várias vezes, o outro está se depreciando, com baixas chances de desaparecer da carteira. Em geral, os mercados de baixa mais fortes em ambos os ativos analisados apresentam cerca de 60% de perdas. Já os mercados de alta, podem apresentar muito mais de 100% em ganhos.

Vamos colocar isso em números para compreender melhor.

Digamos que ao alocar 50% em cada um dos dois ativos mencionados, montamos um portfólio de R$ 2.000.000,00, sendo que temos R$ 1.000.000,00 alocados em Ibovespa, e R$ 1.000.000,00 alocados em dólar.

Depois de algum tempo, digamos que o Ibovespa se valorizou em 100%, enquanto o dólar caiu 50%. Teríamos então os novos valores:

Alocados no Ibovespa: R$ 2.000.000,00 (um milhão mais 100% de valorização)

Alocados em dólares: R$ 500.000,00 (um milhão menos 50% de desvalorização)

Valor total da carteira: 2.500.000,00 (25% de ganho nominal sobre o saldo inicial)

Neste caso hipotético acima, depois de obtermos 25% de rendimento nominal para o total do portfólio, percebemos que a alocação sofreu um desvio, e ficou da seguinte maneira:

Primeiro Desvio

Com o equilíbrio do portfólio prejudicado pelo movimento do mercado, o gestor tem uma indicação de que é hora de se mexer. Afinal, se a bolsa começar a cair, suas perdas serão sentidas por 80% de sua carteira. De modo inverso, se o dólar começar a subir, apenas 20% dos ativos do portfólio apresentarão variação positiva. O que fazer?

Re-alocação de ativos, o “pouso” do gato

Hora de buscar o equilíbrio perdido.

Esse equilíbrio pode ser atingido VENDENDO parte dos ativos que subiram de preço (ações neste caso), e COMPRANDO mais dos ativos cujo preço caiu. No caso do nosso exemplo acima, o gestor então passaria a vender seus excedentes em ações, e a adicionar posições em dólares, com o objetivo de fazer a alocação do seu portfólio retornar aos 50/50 originais. A esse movimento, chamamos de re-alocação de ativos.

Ao realizar essa re-alocação de ativos, o investidor estará vendendo ativos que subiram (portanto, realizando lucros nesses ativos), ao mesmo tempo em que estará reduzindo seu preço médio de compra nos ativos que caíram. Essa atitude vai melhorar os resultados em ambas as pontas.

De volta ao nosso exemplo hipotético, para buscar o equilíbrio perdido o gestor teria que vender ações que correspondam a 30% do valor total do portfólio, e usar esses recursos para adquirir mais dólares, a preços agora muito mais baixos do que o preço original, retornando a alocação para os 50/50 originais.

primeira alocação

Agora, este investidor volta a ter seu portfólio equilibrado. Porém, ele já realizou diversos lucros em ações, e sua alocação em dólares agora apresenta um preço médio de aquisição muito inferior ao preço original.

Quando as tendências se inverterem, este portfólio passará a apresentar ganhos no dólar, e perdas na bolsa, em uma dinâmica inversa à que ocorreu anteriormente. Porém, agora, o dólar entrará mais cedo na zona de lucro, pois teve seu preço médio de compra reduzido.

Quando essa inversão de tendências ocorrer, o portfólio sofrerá um novo desequilíbrio em sua alocação, com a posição em dólares crescendo enquanto a posição em bolsa diminui. Neste momento, o gestor praticará novamente a re-alocação dos ativos, só que desta vez, vendendo dólares e adquirindo mais ações a preços mais descontados.

segundo desvio

Volte mais uma vez (e quantas forem preciso) ao gráfico do Ibovespa e do Dólar e perceba que nos momentos em que o dólar está extremamente valorizado, a bolsa oferece as melhores oportunidades de compra, e vice-versa. Porém, para poder aproveitar essas chances únicas, é preciso ter recursos à disposição.

Infelizmente, se você estiver 100% comprado em apenas um ativo que perdeu 60% do seu valor, você não poderá aproveitar essa chance. Mas se você estiver alocado em diversos ativos, sempre haverá algum deles apresentando ótimos resultados para que você os utilize nas compras que estão agora em oferta.

Esse modelo, portanto, oferece uma excelente proteção para o total do portfólio, ao mesmo tempo em que permite que os lucros surjam ao longo do tempo, mesmo se o gestor não for capaz de acertar o timing com precisão.

E assim segue a dinâmica de longo prazo, com o gestor podendo realizar lucros e acumular ativos depreciados, independente de qual tendência estiver predominando no mercado naquele momento. De repente, ele percebe que estará sempre comprando ativos na baixa e vendendo ativos na alta, independente de qual ativo estiver negociando.

É óbvio que os ganhos desse tipo de portfólio serão menores do que se você fosse capaz de adivinhar os movimentos futuros dos preços, e conseguisse pular de um lado pro outro na hora certa. Mas, seja honesto consigo mesmo, será que você é capaz de fazer isso com consistência ao longo de anos e anos? Se você souber como, pode ignorar o assunto alocação de ativos. Se não sabe, porém…

O lado positivo é que o portfólio está muito mais protegido de sofrer grandes perdas, daquelas que desestabilizam o gestor e o fazem perder sono, saúde e muito dinheiro. Se você já esteve na situação de estar 100% comprado em ações durante uma forte crise, como em 1997, 2002 ou 2008, sabe bem do que estamos falando.

E as outras classes de ativos?

O artigo de hoje serviu apenas para introduzir uma explicação simples da dinâmica da covariância na alocação de ativos. Essa dinâmica não é perfeita, pois a covariância dos ativos quase nunca é perfeita. Existem inclusive momentos onde os ativos caminham na mesma direção. Porém, mesmo nesses casos, a prática da re-alocação acaba trazendo ao portfólio um melhor equilíbrio dos riscos.

Quando inserimos também a classe de renda fixa no portfólio, conseguimos reduzir ainda mais a volatilidade total da carteira, e temos então mais uma fonte de recursos para serem re-alocados em outras classes, quando o portfólio se desequilibrar.

No próximo artigo, mostrarei como inserir a renda fixa na alocação do portfólio, e como subdividimos cada classe em diversos ativos, obtendo ainda mais estabilidade e segurança para o total do capital, ao mesmo tempo em que abrimos novas oportunidades de lucros nesses outros ativos. Falarei também sobre as diferentes opções de tomada de decisão quanto aos melhores momentos para realocar seu portfólio.

Mas e a especulação? Não vale a pena?

Lembre-se que aprender a alocar seu portfólio e estabilizar sua carteira protegendo-a de grandes perdas não significa que você não possa ou não deva realizar algumas apostas direcionais mais agressivas. Não, de jeito nenhum.

Apesar de advogar a favor do conservadorismo no que toca à gestão da maior parte do capital, eu defendo que uma parcela menor dele seja mantida disponível para que quando surja uma oportunidade especulativa, o gestor possa aproveitá-la. A questão é que essas oportunidades não surgem a todo momento, e ficar procurando por elas diariamente pode nos levar a cometer muitos erros.

Quem joga Poker sabe muito bem que os jogadores que entram em todas as mãos acabam saindo mais cedo da mesa, com os bolsos vazios. Os bons jogadores podem passar horas dispensando as mãos mais fracas, até que surja uma boa oportunidade de alavancar seus ganhos com apostas mais altas. Nenhum deles vai de “All-in” em todas as mãos.

 

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Hmm…enfim, chegou a hora de ser agressivo

 

Meu conselho: Aprenda primeiro a defender o grosso do seu capital. A primeira regra para ganhar é aprender a não perder tudo logo de cara. Só depois, com seu capital protegido e trabalhando para você, procure aprender a operar de forma mais agressiva com uma pequena parte dele, calmamente, testando todas as teorias antes de colocar seu futuro financeiro em jogo.

Não queira passar pelo que eu passei em 1997, com 100% do meu capital em ações. Foi doloroso. Muito doloroso. Seja mais esperto do que eu fui naquela época, e aprenda com os erros alheios. Sabe por que?

A maior de todas as riquezas

Porque o tempo, meu amigo, é a sua única e verdadeira riqueza. Não existe NADA mais finito, mais escasso, do que o tempo. Todos nós iremos morrer um dia, e tudo o que levaremos dessa vida, serão as memórias do que vivemos.

Que memórias levaremos? Uma vida vivida com alegria, encanto, descobertas, viagens, diversão e bons momentos, ou uma vida de estresse e luta constante para enriquecer rapidamente, correndo o risco de terminarmos ainda mais pobres? Não desperdice o seu bem mais precioso sofrendo em frente a uma tela de cotações e perdendo dinheiro. Keep it simple.

O dinheiro é um ótimo escravo, mas um péssimo mestre. Deixe que ele trabalhe para você, e não o contrário. Pense nas vantagens de adotar um bom modelo de alocação de ativos, e aproveite melhor o seu tempo, cantando, dançando, viajando e aproveitando a vida.

Aproveite inclusive, para dormir bem, principalmente naqueles momentos em que todos perdem o sono, quando o IBOVESPA está despencando 60% ou 70% em um único mês. Ah, isso não tem preço.

Se eu soubesse disso em 1997…

E no que consiste então o “Graal” dos investimentos bem sucedidos? 

Oras, todo mundo sabe repetir o mantra: “-O segredo para ganhar no mercado financeiro é comprar na baixa e vender na alta.”

O que poucos sabem é COMO fazer isso, com consistência, ao longo de muitos anos, sem que seja preciso passar o resto da vida desperdiçando seu tempo grudado a uma tela de cotações, tentando adivinhar o futuro.

Mas agora, VOCÊ sabe.

Seja legal com os outros, e divulgue.

Abraço.

Jonas Faga Jr. – 03 de maio de 2013

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