Moeda não é investimento!

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Nesses tempos de crises e criptomoedas, não é incomum ouvir que “fulano investiu em Bitcoin e rendeu 3.000%”, “um cara investe em dólar e está rendendo mais do que qualquer renda fixa”, ou qualquer variação dessas frases.

O problema é um só: moeda não é investimento!

De novo: moeda não é investimento!

Mais uma vez, para fixar bem: moeda não é investimento!

Seja lá qual for a moeda que você tenha, pode ser o real brasileiro, dólar, euro, franco suíço, Bitcoin etc, nenhuma delas pode ser considerada um investimento, simplesmente porque você não recebe juros ou rendimentos simplesmente por possui-las.

Diferente de uma ação na bolsa, uma cota de fundos imobiliários, um imóvel alugado ou até mesmo a boa e velha poupança, você não vai receber nada simplesmente por ter comprado qualquer moeda. O único jeito de se conseguir algum rendimento com elas é através de especulação, tentando comprar quando ela está desvalorizada e vender quando ela se valoriza (é a velha história de comprar barato e vender caro).

E especular, meus caros, não é uma atividade de investimentos, é um trabalho! Sim, um trabalho. Você precisa ficar o tempo todo acompanhando cotações, a movimentação do mercado, estudar bastante para conseguir enxergar os pontos ideias de entrada e saída no negócio. E é uma atividade que você pode fazer com absolutamente qualquer coisa, desde livros, carros e discos antigos até imóveis e moedas.

Então para que servem as moedas?

A diversificação em outras moedas além daquelas que são usadas no seu país – no caso do Brasil, o real – serve como uma proteção, também chamada de reserva de valor. Ou seja, caso uma crise atinja a economia do seu país, você possui uma moeda estrangeira que pode ser usada no lugar. Por ser uma moeda usada em quase todo o mundo, o dólar americano costuma ser o escolhido por quem pretende montar essa reserva de valor.

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Na Venezuela, o bolívar vale mais como guardanapo do que como dinheiro

Em uma situação de hiperinflação, como a que está acontecendo nesse momento na Venezuela, e pela qual o Brasil passou na década de 1980, a moeda local perde seu valor, já que ninguém mais a aceita devido ao fato de ser impossível saber se ela ainda vai valer a mesma coisa daqui 30 dias. A situação fica imprevisível, os preços ficam distorcidos, enfim, as pessoas não conseguem mais calcular o preço adequado das coisas naquela moeda. Então elas partem para soluções alternativas, como o escambo e a dolarização.

Elas podem usar esses dólares tanto para adquirir produtos para sua sobrevivência, como para fugirem do país até as coisas melhorarem. É por isso que em países com a economia instável, as pessoas costumam comprar dólares para manter algum poder de compra em caso de necessidade.

Atualmente, com a popularização das criptomoedas, muitas pessoas também tem feito essa reserva de valor em bitcoin, já que ela também é aceita mundialmente e pode ser facilmente transportada para qualquer local do mundo, sem a necessidade de carregar um grande maço de dinheiro, ou mesmo algumas malas, como nossos políticos adoram fazer.

ethereum and bitcoin emblems

Agora ficou clara a diferença entre investimento e reserva de valor?

Se tiver alguma dúvida, deixe nos comentários!

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O Graal dos Investimentos Bem Sucedidos – Parte 4 (Final) – A Tríade Básica

Se você chegou aqui agora, leia os dois artigos anteriores desta série:

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Na série de artigos “O Graal dos investimentos bem sucedidos” aprendemos como a diversificação é importante, e praticada até mesmo por aqueles que dela desdenham em seus discursos. Conhecemos um pouco mais sobre as classes de ativos, e boa parte dos ativos que as compõem. Travamos também contato com o importante conceito de covariância, o “pulo do gato”.

Agora, apresentarei o conceito da tríade básica, mostrando as razões pelas quais acredito que um portfólio bem alocado deve conter estas três classes de ativos: a renda fixa, a renda variável e o câmbio.

Por que alocar?

Quando um investidor coloca 100% do seu capital em uma única classe de ativos, seu portfólio sempre ficará refém de alguma situação de risco.

O hiperconservador, que aloca 100% do seu capital em renda fixa, se esquece que o maior risco é não correr risco algum. Se em cenários normais esse investidor terá um portfólio com baixa volatilidade, ele também apresentará quase sempre, baixa rentabilidade. E em um mundo com juros baixos, e em queda, essa baixa rentabilidade pode até mesmo perder para a inflação, o que estaria transformando essa suposta segurança em rendimentos negativos (perdas).

Já o hiperagressivo, que aloca 100% do seu capital em renda variável, repetindo sempre a máxima de que “no longo prazo a bolsa sempre sobe”, acredita que ser conservador é perder oportunidades. Ele esquece que “conservador” vem da palavra “conservar”. E conservar capital não é exatamente o que acontece quando se está 100% comprado em ações em um momento onde a bolsa cai 60%.

Dizem que a grande iluminação do príncipe Gautama, o Buda, ocorreu quando ele descobriu que a resposta para todas as questões estava no que ele chamou de “o caminho do meio”.

Reza a lenda que o príncipe meditava sob uma árvore quando viu passar uma barca com um professor de música e seu aluno. O professor, enquanto afinava um instrumento de cordas, disse ao aluno:

“Se você deixa a corda muito frouxa, ela não faz som algum. Porém, se a esticar demais, ela estoura.”

Aposto que se o príncipe investisse no mercado financeiro, teria descoberto, naquele momento, a alocação de ativos.

Risco Cambial e a covariância oculta

Para encontrar o caminho do meio entre o conservadorismo e a agressividade, é preciso avaliar outro ponto importante. Tanto o hiperconservador como o hiperagressivo dos exemplos acima, estão deixando de considerar o risco cambial.

Quando uma grave crise afeta o mercado brasileiro, é bastante comum que o dólar, o euro e outras moedas estrangeiras se apreciem fortemente em relação ao real.

Nesse caso, o hiperagressivo vê as ações perderem valor em reais enquanto as moedas estrangeiras disparam, e ele se vê perdendo dos dois lados. Para ele, a covariância entre bolsa e câmbio é bastante explícita, e joga contra seus resultados.

Já o hiperconservador pode até se iludir de que não esteja perdendo muito. Seus ganhos nominais (em reais) podem até continuar crescentes em meio à uma crise. O problema é que ele está sofrendo uma forte perda cambial, pois o valor do real está se depreciando fortemente nesses momentos.

Pense um pouco. Se o dólar sobe em relação ao real, cem mil reais continuam sendo cem mil reais. Parece que não houve perda alguma. Mas o simples fato de que você poderá comprar cada vez menos dólares com esses reais, significa que o valor deles está se depreciando, mesmo que você não perceba. Isso é o que chamo de “covariância oculta”, ou “ilusão nominal”. Mais sobre esse assunto aqui e aqui.

O erro ocorre quando tomarmos as moedas nacionais (quaisquer que sejam) como padrões de medição de valor, nos esquecendo de que seus preços (e valores) também flutuam. É como tentar medir algo com uma régua que muda de tamanho o tempo todo. O resultado será sempre, inevitavelmente, o erro.

Ao perceber que além da covariância explícita entre renda variável e câmbio, existem covariâncias ocultas entre as moedas, um bom observador chega à conclusão de que é necessário montar um “tripé” que possa suportar o seu portfólio em qualquer cenário. A esse tripé, costumo chamar de a tríade básica.

A tríade básica

Essa tríade é composta das três classes de ativos que mencionamos acima: renda fixa, renda variável e câmbio. A título de exemplo, vamos observar um portfólio alocado de forma totalmente equilibrada entre essas três classes:

Tríade Básica

Esse portfólio está agora preparado para lidar com os mais diversos tipos de cenários econômicos e financeiros, sem deixar o investidor a ver navios.

A renda fixa traz rendimento em moeda local, através de juros. A renda variável “apimenta” os resultados, ampliando os ganhos durante os mercados de alta. E o câmbio protege boa parte do valor do portfólio durante as crises de liquidez, e momentos de fuga de capitais.

Com um portfólio assentado sobre essa tríade, o investidor sempre terá pelo menos uma das classes apresentando boa performance, enquanto as outras podem estar sofrendo em graus diferentes. Um portfólio assim alocado dificilmente apresentará perdas volumosas para o total do capital, pois sempre que uma das classes estiver em crise, outra estará oferecendo uma boa performance relativa.

Vejamos como esse portfólio pode se comportar nos diversos cenários.

Cenário Otimista

Essa é aquela hora da alegria, onde milhares de novos investidores chegam às bolsas de valores, atraídos pela forte valorização dos papéis. Todo mundo quer ganhar dinheiro rápido e ficar rico, e quanto mais os preços sobem, mais insuportável é a sensação de estar perdendo o bonde, para quem está de fora.

Nesses momentos, as ações sobem com força, multiplicando o capital dos acionistas de forma impressionante. Entre 2002 e 2008, por exemplo, o Ibovespa subiu mais de 700% em reais. Se medido em dólares, a alta foi de mais de 1.800%. Isso seria suficiente para transformar U$ 100.000,00 em mais de U$ 1.900.000,00.

Essa alta maior em dólares ocorre por conta da nossa já conhecida covariância. Enquanto a bolsa brasileira e o real se apreciam, o dólar perde valor, o que faz com que o resultado do Ibovespa medido em dólares seja ainda maior do que se medido em reais.

O grande problema, como sempre, é acertar o timing.

Se para profissionais do mercado, essa já é uma tarefa complicada, para os novatos que acabaram de chegar, atraídos pela grande algazarra, isso é quase impossível. Quando a música da “dança das cadeiras” acaba, a correria é imensa, e a queda vem com muito mais rapidez e brutalidade do que a alta, deixando milhares de novatos no meio do salão, em pé, procurando as cadeiras, que já não existem mais.

Tradução: Prejuízos vultosos, e uma baita ressaca.

Porém, se o investidor estiver usando um modelo de alocação assentado na tríade básica, ele obterá um resultado teórico parecido com este:

Cenário Otimista

Com o preço dos ativos de renda variável subindo, e o preço dos ativos cambiais caindo, o desvio percentual entre essas duas cestas aumentará de forma brutal, pelo efeito da covariância. Ou seja, o ganho de um lado, associado à perda do outro, provoca uma grande distorção entre essas duas classes de ativos.

A renda fixa tende a seguir se comportando de forma normal, ganhando pouco, e de forma mais ou menos constante. Note porém que, mesmo que ela apresentar ganhos, seu percentual na alocação pode diminuir em relação à renda variável, dependendo do tamanho da alta nas bolsas.

Como neste caso o investidor está ganhando bastante dinheiro na bolsa, e perdendo no câmbio, ele começa a praticar a realocação de ativos. Neste caso, ele venderá os excedentes em renda variável (realizando lucros), e usará os recursos para adquirir mais ativos cambiais (e/ou renda fixa, se for o caso).

Dessa forma, ele volta a equilibrar seu portfólio. Lembre-se que, com isso, ele não apenas realiza parte dos lucros na bolsa, mas também reduz seu preço médio de aquisição dos ativos cambiais, obtendo ganhos nas duas pontas. Um excelente negócio.

Cenário pessimista

Essa é a hora em que a palavra CRISE não sai dos noticiários. Quedas brutais nas bolsas de valores, forte alta do dólar, empresas demitindo, outras quebrando, governos em polvorosa fazendo reuniões de emergência para discutir como “salvar o sistema financeiro” de mais um tropeção.

É a hora em que a maioria dos novos investidores é ejetada do mercado, geralmente muito mais pobre do que entrou. O sonho de enriquecer rapidamente dá lugar ao pesadelo de ficar ainda mais pobre, e ainda ter que enfrentar a crise lá fora, com as empresas demitindo, e algumas até mesmo fechando as portas em definitivo.

Porém, se o investidor estiver usando um modelo assentado na tríade básica, ele obterá um resultado teórico parecido com este:

Cenário Pessimista

E enquanto tudo é choro e ranger de dentes para a imensa maioria, o portfólio assentado na tríade básica permanece saudável. Desta vez, porém, é a parcela em renda variável que perde valor, enquanto a parcela cambial sobe com força.

Mais uma vez, a volatilidade é amortecida pela covariância, e enquanto algumas pessoas perdem tudo na bolsa, o valor total deste portfólio pode cair muito pouco, ou até mesmo continuar subindo.

Com a liquidação nas ações, que caem de preço, e a alta no câmbio, o investidor começa a vender parte dos ativos cambiais que se valorizaram, e com o capital proveniente dessas vendas, ele passa a adquirir mais ações.

A mecânica é a mesma, apesar de no sentido inverso. Só que desta vez, o investidor realiza lucros no câmbio, e “vai à feira”, comprar muitas ações a preços muito baratos. Com isso, ele também reduz o preço médio de aquisição dessas ações, e volta a acumular papéis na baixa, para depois voltar a lucrar com elas, durante o próximo ciclo de alta.

A renda fixa tende a se comportar da mesma forma de sempre, oferecendo rendimentos baixos, e mais ou menos constantes. E novamente, mesmo que o resultado absoluto na renda fixa seja de ganhos, o percentual dessa classe pode tanto aumentar como diminuir, dependendo o tamanho da variação nos preços das outras classes de ativos. Não importa.

Durante a realocação, o objetivo é sempre trazer o portfólio de volta ao equilíbrio original. Isso é feito vendendo os excessos do que subiu, e adquirindo mais do que caiu, de modo a sempre que houver um grande desvio, trazer o portfólio de volta à alocação original.

Mas, e se tanto a bolsa quanto o câmbio caírem? E se a covariância entre dólar e Ibovespa deixar de existir, e ambas as classes perderem preço ao mesmo tempo?

Cenário carry trade

Carry trade é o nome dado à operação na qual o investidor toma empréstimos a juros baixos em uma moeda (Yen, dólar, Franco Suíço, etc), e investe o capital em uma outra moeda que paga juros mais altos, visando embolsar a diferença entre as taxas (spread).

Nesse caso, é possível que o investidor estrangeiro não queira investir na bolsa brasileira, mas apenas na renda fixa local, pois ele pode obter um bom lucro apenas com o diferencial dos juros somado à valorização cambial que o movimento provoca.

Nesse cenário, a moeda estrangeira cai em relação à moeda local, devido ao forte fluxo de recursos que vem aproveitar os juros mais altos, mas esse dinheiro acaba não indo para o mercado acionário, ficando estacionado na renda fixa local.

Nesse caso, o portfólio assentado sobre a tríade básica obterá seus ganhos justamente da classe de renda fixa, de onde sairão os recursos para adquirir mais ações e câmbio.

Vejamos:

Cenário Carry Trade

A renda fixa continua como sempre, rendendo pouco, de forma mais ou menos constante. Porém, a queda forte no preço das ações e dos ativos cambiais faz com que o percentual alocado em renda fixa cresça em relação às outras classes.

Neste caso, o portfólio tende a apresentar perdas maiores em seu valor total nominal, ou seja, medido na moeda local. Mas se lembrarmos da covariância oculta, perceberemos que o que está acontecendo é uma forte valorização da moeda local (no caso, o real). Isso tende a amortecer boa parte da perda de valor nominal do portfólio. Simplificando: O portfólio tem menos reais, mas eles valem cada vez mais.

Durante esta fase, o investidor venderá os excedentes em renda fixa, e usará os recursos para adquirir mais ações e mais ativos cambiais, se aproveitando de um real forte, e de ações e câmbio depreciados.

Eu poderia repetir novamente que ele estará realizando lucros na renda fixa e reduzindo o preço médio de aquisição das ações e do câmbio mas…ah, você já entendeu essa mecânica, certo?

Mas e a especulação, nada?

Toda a mecânica do portfólio assentado sobre a tríade básica funciona do mesmo jeito, quer você tenha separado um percentual qualquer para especular ou não. Obviamente, se esse percentual for muito grande, e o seu timing for sofrível, você pode destruir completamente os efeitos positivos que a alocação de ativos traz.

De um modo geral, você só deve separar parte do capital para especular se realmente tiver um método testado, e no qual confia plenamente. Se esse método permite que você tenha mais ganhos do que perdas ao longo do tempo, alocar uma pequena parte do capital para praticá-lo vai ajudar muito a aumentar a rentabilidade total do portfólio.

Agora, se você for daqueles que, para cada cinco reais que ganha, perde dez, e o faz com bastante constância, recomendo que deixe a especulação de lado, e adote apenas um modelo de alocação assentando sobre a tríade básica.

Mesmo que você tenha um método no qual confia para especular, é prudente alocar apenas uma pequena parte do total do capital para essa atividade. Shit happens. De um modo geral, de 5% a 10% do total do portfólio estão de bom tamanho. No gráfico abaixo, utilizei 10% apenas a título de exemplo:

Tríade e Especulação

O importante é que o resto do capital seja dividido entre as três classes de ativos que compõem a tríade básica, de modo que, aconteça o que acontecer, você não tenha que passar pelo que milhares de investidores passam durante as crises no mercado financeiro.

E se você errar a mão na hora de especular, ou seu sistema falhar, você limita suas perdas a no máximo, 10% do seu capital (no caso acima), enquanto a maior parte segue muito mais segura, apoiada sobre um bom modelo de alocação.

Como fazem os bilionários?

Recomendo fortemente a leitura deste artigo de João Sandrini para o Infomoney, onde Luis Barsi conta como ficou bilionário investindo em ações. O grande segredo dele pode ser resumido em comprar ações exatamente durante as crises.

O problema é que quando a crise chega e as ações ficam baratas, a maioria dos investidores costuma estar perdendo tanto dinheiro, que não tem de onde tirar capital para comprar. No geral, nesses momentos, eles estão vendendo, ou seja, fazendo exatamente o contrário do bilionário. Hmm…

O modelo da tríade básica resolve exatamente esse problema, ao oferecer a oportunidade de termos lucros em uma classe de ativos, enquanto outra está sofrendo. E o melhor é que isso vale não apenas para quando a bolsa cai, mas em qualquer cenário, porque sempre que há uma crise em alguma classe de ativos, seja ela renda variável, renda fixa ou câmbio, haverá outra classe “voando alto”.

Crise, Oportunidade, Sorte e Preparo

Tem muita gente que diz que ganhar dinheiro no mercado financeiro é questão de sorte.

Mas eu escutei uma vez que “a sorte é o encontro do preparo com a oportunidade”.

E para os chineses, “CRISE é igual a OPORTUNIDADE”.

Então, as oportunidades são as crises, e elas são abundantes. O preparo para aproveitá-las nos é dado pelo modelo de alocação assentado sobre a tríade básica.

Agora, basta juntar as duas coisas, e deixar que a “sorte” faça o resto.

Abraços.

Jonas Faga Jr. – 18 de maio de 2013

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A primeira bolha especulativa da história

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Esta semana faz aniversário o estouro da primeira bolha especulativa da história: A Mania das Tulipas.

Coloco abaixo um texto do Blog de Valor contando toda essa saga:

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Muito se fala nos dias atuais sobre as bolhas financeiras – um fenômeno que, de tempos em tempos, surge nos mais diversos mercados do mundo e assombra os investidores. Mas você sabe qual foi a primeira grande bolha financeira da história?

No artigo de hoje vamos falar sobre a primeira bolha financeira do mundo, que deu-se no mercado da Holanda no século XVII.

Afinal, o que é uma bolha financeira?

Antes de falar sobre a primeira grande bolha financeira – também chamada de especulativa ou bolha econômica – do mundo é preciso, em primeiro lugar, entender o significado deste fenômeno. Uma bolha financeira nada mais é que uma situação na qual um ativo – seja ele qual for – se desvia fortemente do seu valor imediato no mercado.

Nesta situação, acaba havendo um grande aumento no valor deste ativo em relação ao que ele vale, de fato, no mercado no momento presente. O preço inflado, muitas vezes, não é identificado até que a bolha, finalmente, estoure – o que resulta em uma quebra brusca no preço destes ativos, surpreendendo o mercado e os investidores.

Explicado a formação e o estouro de uma bolha financeira, é hora de saber mais sobre a primeira grande bolha econômica da história. Continue a leitura!

Tulipas holandesas: a primeira bolha financeira

A primeira bolha financeira da humanidade estourou na cidade de Amsterdã, na Holanda. O ativo responsável pela bolha não podia ser mais exótico: as famosas tulipas holandesas, que até os dias de hoje são um dos principais símbolos do país.

A história da bolha financeira das tulipas começou no ano de 1593, quando o botânico Carolus Clusius trouxe à Holanda alguns bulbos de tulipa vindos de Constantinopla – atual Istambul, na Turquia –para plantar em seu jardim. Muito raras, as tulipas logo atenção dos vizinhos do botânico, que começaram a roubar bulbos para revendê-los.

Daquele momento em diante os holandeses tornaram-se obcecados pela planta. Alguns anos depois, já no início do século XVII, as tulipas se tornaram um símbolo de status no país – aumentando os preços da planta em toda a Holanda. Quanto mais rara era a tulipa, mais valiosa e mais cara se tornava.

A procura pelas tulipas era cada vez maior na Holanda do século XVII, fazendo com que os especuladores comprassem bulbos da planta e revendessem a preços exorbitantes. Em um único mês os preços das tulipas chegavam a aumentar mais de 20 vezes – muitas pessoas, inclusive, trocavam todos seus bens por um único bulbo da planta.

Os contratos de tulipas

Um dos principais problemas do mercado de tulipas, no entanto, era a sazonalidade da planta e o tempo que ela demorava para florescer. Isso porque os bulbos das tulipas demoram entre 7 e 12 anos para florescerem após serem plantados – limitando a venda da planta durante um longo período. A floração também era bastante restrita, já que acontecia somente entre os meses de maio e abril.

A fim de contornar este obstáculo e manter a negociação de tulipas durante todo o ano, os especuladores holandeses passaram a vender contratos de tulipas – bastante semelhantes aos atuais contratos de futuros negociados na bolsa de valores.

Ao assinar um contrato de tulipas, o comprador se comprometia a adquirir uma tulipa no final da temporada por determinado preço. Surgia, naquele momento, o primeiro mercado de derivativos do mundo.

E não eram apenas os maiores empresários da época e donos de grandes fortunas que tinham interesse em adquirir tais títulos. Pequenos poupadores e até mesmo pessoas com poucas posses passaram a ter grande interesse no mercado das tulipas, uma vez que o burburinho das vantagens que se poderia ter ao revender a planta por valores ainda maiores ultrapassou as fronteiras holandesas e chegou a outros países vizinhos, como a França.

Uma grande quantidade de trabalhadores decidiu vender tudo o que tinha para investir no comércio de tulipas. Franceses, holandeses e ingleses apostaram todas as suas fichas nas exóticas plantas e no seu mercado altamente lucrativo.

Um único bulbo de tulipa, em 1624, chegava a valer o equivalente a R$ 200 mil nos dias de hoje, de acordo com o livro Crash – Uma breve história da economia. E este não foi sequer o preço mais alto alcançado por um botão da planta naquela época: havia quem pagasse muito mais por uma única tulipa.

Os contratos para venda de tulipas ao final de cada temporada anual fizeram tanto sucesso nas cidades holandesas que passaram a ser negociados na Bolsa de Amsterdã nas primeiras décadas do século XVII. No inverno de 1636, no entanto, tudo mudou – e a bolsa holandesa viu-se em meio a primeira grande crise do mercado financeiro do país.

O estouro da bolha das tulipas

A bolha da “tulipomania” estourou no inverno de 1636-1637, quando um comprador da cidade de Haarlem não honrou seu contrato de compra das tulipas holandesas. O fato resultou em um pânico generalizado no mercado de tulipas, fazendo com que os preços da planta despencassem em poucos dias.

O valor de cada tulipa caiu para um centésimo dos preços anteriormente praticados. A bolha das tulipas, finalmente, havia estourado na Holanda.

Muitos compradores que haviam dado todos os seus bens para ter uma tulipa passaram a ter, da noite para o dia, uma planta sem nenhum valor de mercado. Outros investidores decidirem tomar a mesma atitude do comprador de Haarlem e não honrar os contratos de venda das tulipas – levando os vendedores da planta à falência.

A confusão se tornou ainda maior quando descobriu-se que alguns vendedores de tulipas falsificavam os próprios títulos da planta e vendiam, portanto, mais bulbos do que realmente tinham. Os compradores sumiram, o valor de mercado das tulipas despencou e, de uma hora para outra, elas já não valiam mais nada.

O resultado da bolha

O caos da bolha financeira das tulipas foi tamanho no país que o governo holandês tentou intervir, oferecendo 10% do valor original de cada um dos contratos emitidos para honrá-los na bolsa. A intervenção, no entanto, só fez o mercado despencar ainda mais.

A primeira bolha do mercado financeiro mundial resultou em uma forte depressão econômica, que demorou anos para ser superada. A crise das tulipas também deixou cicatrizes nos investidores da Holanda: depois dela, os holandeses passaram a olhar com grande desconfiança para qualquer investimento especulativo.

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