O que aconteceu quando entrei em uma pirâmide financeira?

Antes de começar, um aviso: vocês devem ter percebido que diminui a frequência de postagens aqui no blog nas últimas semanas. Então, a partir de agora, posts com conteúdo autoral, novos, sairão sempre as terças-feiras. Nos demais dias, vou postando coisas que vi por aí, e achei interessante trazer para vocês.

Agora vamos ao post de hoje.

piramide explodindo

Eu já escrevi um texto falando sobre pirâmides financeiras aqui no site (se ainda não viu, leia “Patos entre lobos”). Mas o que eu trago aqui hoje é um relato de quem já esteve dentro de uma pirâmide dessas.

O colega do blog Diário de Um Poupador contou como foi quando convidaram-no para participar da empresa Bbom, empresa essa que posteriormente foi encerrada por estar envolvida com essa prática, como você pode ver nas notícias postadas neste link.

Além do relato, o texto contém boas dicas de como perceber se uma proposta é uma pirâmide ou não. Aproveite a leitura.

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Olá pessoal

Pois é, eu entrei numa pirâmide. Foi há alguns anos, era uma grande promessa de ganho fácil. Na época, com pouco mais de 20 anos, ainda muito jovem e inexperiente, tentando ganhar dinheiro de forma fácil, cai no conto e entrei na empresa, pagando cerca de 4200,00.

A empresa chamava-se Bbom, creio que ouviram falar, e prometia alugar 20 rastreadores que você adquiria, cada um a 80 reais. E em troca do seu “investimento” ela iria te repassar metade do valor do aluguel. Acontece que a empresa recebeu dos que entraram o equivalente a milhões de rastreadores, mas na prática não tinha alugado nem 100 mil deles. Mas ‘pagava’ como se tivessem alugado.

E como diz o título, o que aconteceu? Menos de 1 mês depois, antes de sacar qualquer quantia, o esquema foi descoberto, e a empresa teve os bens bloqueados pela justiça. O dinheiro investido virou pó. Ou melhor, deve ter virado algum carrão pra um daqueles enganadores do topo da pirâmide.

Ainda bem que não levei outras pessoas a perderem dinheiro, apenas me prejudiquei sozinho. Menos mal.

Fiquei com o prejuízo até hoje, aprendi uma dura lição, sacodi a poeira, e busquei dar a volta por cima.

Como é sábio aprender com os próprios erros, eu decidi nunca mais entrar nesses esquemas, e estudar com mais afinco para investir por conta própria e da maneira correta. Pelo menos isso ficou de aprendizado.

Agora veja o ARGUMENTO DEFINITIVO contra essas pirâmides financeiras:

Recentemente tivemos o fechamento da Kriptacoin, e mais um escândalo de Pirâmide Financeira no mercado, lesando milhares, se não milhões, de pessoas.

Também não muito distante tivemos os casos mais famosos da TelexFree, da Bbom(rastreadores), da Priples, Avestruz Master, entre inúmeras outras. Existem várias empresas com esquemas semelhantes, umas se destacam, outras ainda engatinham tentando angariar pessoas.

Essas empresas prometem lucros fora do normal. Altos ganhos com pouco, ou nenhum, esforço. É o chamado ALMOÇO GRÁTIS… que sabemos não existir!

Entre tantos argumentos para ficarmos fora desses esquemas, como ausência de produto (ou venda abaixo das receitas), pessoas com antecedentes criminais administrando o negócio,forte lavagem cerebral e convencimento, o que quero trazer aqui é o raciocínio que esses golpistas mais usam: Ganhar uma porcentagem AO DIA, desde que se invista uma quantia, quase todas as vezes alta.

Nos casos da TelexFree e da Bbom, era mais de 20% ao mês que prometiam. No caso da Kriptacoin, cheguei a ver 1% ao dia, e 3% ao dia. Isso faz crescer os olhos dos mais gananciosos.

Acontece que as pessoas que entram nesse negócio confiando nessa rentabilidade não percebem o que os juros compostos podem fazer, simples assim.

Caso a rentabilidade prometida por essas pirâmides fosse realmente paga, e como é possível calcular pra saber exatamente quanto teríamos ao final de determinado prazo, verifica-se que seriam valores fora da realidade. E saberíamos disso apenas utilizando conhecimentos de alunos do ensino fundamental.

Eis então o argumento definitivo contra o raciocínio utilizado pelos recrutadores de pirâmides, o do “tantos % ao dia” !


Vamos a algumas contas:

Digamos que você investe 3000 reais, a 20% ao mês (TelexFree ou BBOM), durante 5 anos.

M = C * (1 + i)^n

M = 3000 * (1,2)^60

M = 169.042.543,05

São quase 170 milhões em 5 anos, isso sem aportar mais nada, somente os 3000 iniciais.

Agora vamos para os casos mais graves, de 1% e 3% ao dia:

1%  ao dia:

M = C * (1 + i)^n

M = 3000 * (1,01)^1825       (5 anos = 1825 dias)

M = 231.008.738.251,65

Você não está vendo errado! Em 5 anos, 1% ao dia, e 3000 de capital investido, gerá um montante de 231 BILHÕES.

Deixa eu dizer novamente: BILHÕES!



3% ao dia:

M = C * (1 + i)^n

M = 3000 * (1,03)^730     (2 anos = 730 dias)

M = 7.051.723.732.828,74.

É meu amigo! Em apenas 2 anos, 3% ao dia, e 3000 de capital investido, gerará um montante maior que 7 TRILHÕES!

E eu nem quis colocar os 5 anos anteriores, meu computador não conseguiria calcular esse número!

Todos esse cálculos foram feitos considerando apenas um investimento INICIAL, sem aportar mais nada, somente reinvestir. Caso você queira saber como fica se aportar constantemente, em uma aplicação com um rendimento regular, recomendo fortemente dar uma olhada nessa análise que fiz sobre isso:

Como Calcular o Montante Final de uma Aplicação com Depósitos Regulares

CONCLUSÃO

Quando você se deparar com uma rentabilidade dessas prometida por aí, não somente desconfie, pode rir também (por dentro, pra não ficar feio), porque é algo realmente engraçado de se pensar. É uma coisa tão absurda, tão intangível, que não tem como nem imaginar. Não faça feito o jovem Diário inexperiente e afoito para ganhar dinheiro logo.

Vejam isso:

Um poderoso rajá indiano, entediado e descontente após conquistar todos os reinos ao seu alcance, ofereceu riquezas inimagináveis a quem fosse capaz de entusiasmá-lo tanto quanto os campos de batalha. Um peregrino, passando pela região, ouviu a estória e pediu uma audiência. O rajá ficou extasiado com o que viu. No tabuleiro à sua frente, reis, rainhas, torres, cavaleiros, sacerdotes e soldados batalhavam com o objetivo final de aniquilar o rei inimigo. Como recompensa, o humilde viajante quis receber apenas grãos de arroz, mas contados de formoney-coins-stack-wealth-50545.jpegma bem específica: um grão para a primeira casa do tabuleiro, dois para a segunda, quatro para a terceira, oito para a quarta, e assim por diante, até a 64ª casa. Para espanto de todos, o simples pedido chegara aos 18,5 quintilhões de grãos, cerca de 450 bilhões de toneladas, ou o equivalente a 36 mil anos da produção brasileira de arroz.

E essa outra:

A respeito dos índios norte-americanos, que venderam a ilha de Manhattan por 24 dólares. Que vacilo, qualquer um pensa à primeira vista. Se houvessem mantido a ilha, hoje poderiam ser donos de trilhões de dólares em propriedades. Não vamos entrar no mérito se a ilha seria o sucesso que é hoje caso os índios mantivessem a propriedade, mas vamos, pelo bem da comparação, assumir que sim, os índios entregaram algo que no futuro valeria trilhões de dólares por apenas 24 dólares. O detalhe é que ela foi vendida em 1626, e se aplicarmos uma taxa de 8% de juros ao ano naqueles 24 dólares, hoje eles teriam mais de 200 trilhões de dólares, e nenhum trabalho, exceto o de esperar, algo que eles teriam que fazer de qualquer jeito se ficassem construindo os imóveis que hoje existem na ilha.

Esses são exemplos da força dos juros compostos no tempo.

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Da próxima vez que alguém oferecer um negócio de 1% ao dia, pergunte se você terá garantido 1 bilhão em apenas 1 ano. Se ele titubear, ele nem sabe o que está falando. E é a prova de que se trata de um esquema que quer tirar dinheiro das pessoas.

“Ah, mas fulano ganhou e tá ganhando bastante, ele me mostrou o extrato da conta!”

Dê mais um tempinho, e depois volte pra ver como ele está. Se você guardar seu dinheiro num pote em casa, vai ter mais do que ele.

Tendo isso em mente, não somente fiquemos de fora de esquemas que enganam quem desconhece os juros compostos, mas também usemos isso a nosso favor, poupando, investindo e esperando. Não precisa esperar 400 anos como os índios, ou achar um rei disposto a dar arroz num tabuleiro. Basta seguirmos princípios básicos de economia, poupança e investimento para atingirmos a Independência Financeira sem cair em golpes de pessoas desprovidas de moralidade.

E você, conhece alguém que passou por algo parecido? Tentou avisá-lo?

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Separe o pessoal do profissional

Um erro comumente cometido por profissionais liberais, autônomos e pequenos empreendedores é misturar suas contas pessoais com as contas da empresa.

Usam o dinheiro do caixa da empresa pra fazer compras no supermercado, ou usa seu cartão de crédito pessoal para comprar suprimentos, ferramentas e mercadorias para seu negócio.

Quem aqui é pequeno empreendedor e nunca fez isso, que atire a primeira pedra!

E esse é um grande problema! Misturar as contas do ambiente familiar com as do ambiente profissional te deixam sem controle sobre ambas as situações. Você passa a não saber quanto gasta, no que gasta, e quando vê já não sabe mais de onde vem nem pra onde vai o dinheiro.

Então PARE!

Respire!

É possível mudar essa situação

pessoal x profissional

O primeiro passo é entender que o dinheiro necessário para sua sobrevivência, para manter sua casa e sua família é um custo, uma despesa para seu negócio. Então é ali que ele deve entrar. Fixe um valor para retirar mensalmente da conta da empresa e acostume-se a viver com ele. É com esse “salário” que você irá pagar aluguel, supermercado, transporte, escola, plano de saúde, lazer, férias, enfim, todas as despesas que uma pessoa comum tem.

O restante do dinheiro da empresa é pra ser usado com a empresa. Pagar funcionários (caso tenha), comprar suprimentos, estoque, pagar água, luz, telefone, aluguel, transportes da empresa, marketing, e toda e qualquer despesa que a firma tenha.

Se em algum mês sobrar dinheiro porque você vendeu mais do que de costume, ótimo! Guarde aquele dinheiro para o mês que as vendas não forem suficientes. Lembre-se sempre da história de poupar nos tempos de vacas gordas para sobreviver aos tempos de vacas magras.

Evite também usar cartões e contas pessoais para gastos da empresa, mesmo que seja uma situação necessária e emergencial. Depois de fazer isso uma vez, você acaba acreditando que não tem problema nenhum, e que isso pode ser feito sempre. É aí que começam os rolos e a desorganização.

Fazendo essa separação, você fica com as coisas mais claras, podendo agir melhor para cortar custos e remanejar despesas tanto na seara profissional quanto na pessoal. Isso vai te trazer uma coisa muito importante na vida de qualquer pessoa: paz e tranquilidade.

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O que é hobby e sua relação com o consumo de valor

Hobbies são atividades exercidas pelos chamados amadores, pessoas apaixonadas que se especializam e desenvolvem uma atividade sem pretensões profissionais, apenas pela paixão. Considerado por muitos como prejudicial, já que demanda investimento e não apresenta retorno direto, acreditamos que o hobby é benéfico e tem tudo a ver com o consumo de valor. É autoinvestimento A […]

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